Fabricante de motores a jato CFM estuda plano B para próximo projeto, dizem fontes
A fabricante franco-americana de motores a jato CFM está estudando um projeto de propulsor "avançado com duto", juntamente com sua opção preferida para um conceito radical que prevê ventilador aberto para aeronaves futuras, enquanto o setor debate economia de combustível e redução de emissões, segundo fontes do setor.
A joint venture co-controlada por GE Aerospace e pela francesa Safran tem defendido um motor de rotor aberto, com um grande ventilador exposto em vez de uma carcaça tradicional, como a arquitetura mais eficiente e ecológica para a próxima série de jatos Airbus e Boeing.
Segundo a empresa, isso geraria uma economia de combustível e emissões de 20% no âmbito de um programa de pesquisa amplamente divulgado chamado RISE.
Mas a empresa também está analisando um projeto em que o ventilador seria contido dentro de uma carcaça semelhante às dos motores atuais. Especialistas afirmam que esses projetos economizam menos combustível, mas podem ser mais adaptáveis.
NOME REVELA PROJETO ALTERNATIVO
A escolha das tecnologias tem implicações potenciais não apenas para a eficiência das aeronaves que entrarão em serviço por volta de 2040, mas também para as estratégias comerciais da Airbus e da Boeing.
O projeto para estudar a arquitetura alternativa veio à tona na descrição de atribuições de um funcionário da Safran vista pela Reuters.
As funções do funcionário incluem trabalhar em projetos futuros, incluindo "Open Fan" e um projeto separado e não divulgado que a Safran nomeou internamente como "Advanced Ducted-Large" ou ADL.
Três fontes do setor confirmaram que a CFM está trabalhando na arquitetura "advanced ducted" no âmbito do RISE, que visa um conjunto de tecnologias antes de qualquer projeto específico de motor.
A Safran se recusou a comentar. Um porta-voz da GE remeteu a uma observação do presidente-executivo Larry Culp aos investidores em julho passado de que "estamos totalmente comprometidos com o Open Fan" e se recusou a comentar mais.
A CFM e seus dois acionistas têm afirmado consistentemente que estão prontos para fornecerem quaisquer motores que os fabricantes de aviões desejarem e nunca descartaram a escolha de um projeto mais convencional, mesmo enquanto promovem os benefícios da arquitetura de pás abertas.
Mas o surgimento de um nome de código separado dentro de um dos acionistas da CFM é o primeiro sinal tangível de que o projeto alternativo do motor está sendo levado a sério o suficiente para merecer atenção exclusiva.
INDÚSTRIA DIVIDIDA SOBRE NOVA TECNOLOGIA
Embora ainda faltem alguns anos, os projetos para a próxima geração de jatos de passageiros e motores já são tema de debate devido aos gargalos de manutenção que deixaram dezenas de jatos parados.
As companhias aéreas foram prejudicadas pelo desgaste acima do esperado dos motores mais recentes, que consumiram parte da economia de custos resultante de uma redução de 15% no consumo de combustível.
A Airbus apoia amplamente o conceito de ventilador aberto, enquanto a Boeing — apoiada pela principal rival da CFM, a Pratt & Whitney, bem como pela britânica Rolls-Royce — está menos convencida.
Misturar projetos incompatíveis tornará mais difícil oferecer opções às companhias aéreas, portanto, espera-se que as decisões finais moldem parcerias de décadas e afetem a forma como os aviões são projetados e vendidos.
Clientes influentes também estão divididos, com a gigante de leasing AerCap pedindo aos fabricantes de motores para terem cuidado em não enfatizarem demais o consumo de combustível em detrimento da durabilidade.
O presidente-executivo da companhia aérea Ryanair, importante cliente da Boeing e da CFM, Michael O'Leary, quer que os fabricantes de motores se empenhem ao máximo na economia de combustível.
"Meu maior custo é o combustível", disse O'Leary à Reuters.