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Exportação de minério de ferro do Brasil perde força em março diante de cortes da Vale

18 mar 2019
18h11
atualizado às 18h56
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As exportações de minério de ferro do Brasil no acumulado de março perderam força, na primeira fraqueza nos embarques do país desde o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), da Vale, maior produtora global da commodity, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pelo governo brasileiro.

Navio é carregado com minério de ferro no porto de Madeira, em São Luís
09/12/2011
REUTERS/Paulo Whitaker
Navio é carregado com minério de ferro no porto de Madeira, em São Luís 09/12/2011 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

Os embarques do país, que cresceram 9,5 por cento em fevereiro na comparação com igual mês do ano passado, apresentaram queda na média diária até a terceira semana de março em relação ao ritmo do início do mês, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Os preços médios, contudo, estão 16,6 por cento mais altos em março, na esteira da alta das cotações internacionais com os cortes de produção pela Vale, cuja capacidade produtiva foi reduzida em mais de 80 milhões de toneladas/ano por conta dos desdobramentos da tragédia em Brumadinho, que fez mais de 300 vítimas, entre mortos e desaparecidos, em 25 de janeiro.

No acumulado do mês até a terceira semana de março, o Brasil exportou em média 1,29 milhão de toneladas ao dia, ante 1,68 milhão de toneladas da média verificada em março até a segunda semana, de acordo com a Secex.

A média diária de fevereiro havia sido de 1,446 milhão de toneladas ao dia, enquanto em março de 2018 foi de 1,42 milhão de toneladas ao dia.

No primeiro bimestre, as exportações de minério de ferro do Brasil, amplamente dominadas pelos embarques da Vale, totalizaram cerca de 62 milhões de toneladas, alta de 14 por cento ante o mesmo período do ano passado.

Procurada, a Vale não tem se pronunciado sobre sua estratégia de vendas, se os embarques maiores no primeiro bimestre ocorreram com a utilização de estoques ou capacidade produtiva não atingida por cortes de produção decorrentes do rompimento da barragem --a maior parte da extração do companhia, e de melhor qualidade, está no Pará.

A Vale afirmou anteriormente que compensaria uma parte das perdas, pelo descomissionamento das barragens, com a produção em outras unidades. Mas, diante de medidas judiciais que obrigaram a mineradora a suspender parte das operações, alguns analistas têm dito que a companhia só não será atingida financeiramente porque vai se beneficiar da alta dos preços do minério de ferro.

Atualmente, o minério de ferro entregue na China, principal cliente do produto brasileiro e da Vale, está cotado a 88,50 dólares por tonelada, após um pico de mais de 94 dólares em 11 de fevereiro, segundo dados da consultoria SteelHome. No acumulado do ano, os preços subiram cerca de 22 por cento, com impulso dos problemas no Brasil.

Esse aumento na cotação começou a aparecer no valor do produto exportado. Segundo dados da Secex, o preço do minério embarcado pelo Brasil foi de 61,70 dólares por tonelada no início de março, em média, alta de quase 17 por cento na comparação com a média de fevereiro.

Mais recentemente, além dos cortes já anunciados de capacidade produtiva, a Vale sofreu os efeitos da interdição do terminal portuário de minério de ferro na Ilha da Guaíba, pela Prefeitura de Mangaratiba (RJ), que citou problemas de poluição. O terminal tem exportado cerca de 40 milhões de toneladas ao ano.

(Com reportagem adicional de Marta Nogueira)

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