EUA: Fed mantém juro sem corte, em meio à guerra, e Powell coloca no radar risco de alta nas taxas
Manutenção era esperada pelo mercado diante de disparada nos preços do petróleo no contexto do conflito entre os EUA e Israel contra o Irã
NOVA YORK E SÃO PAULO - O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, manteve a taxa dos Fed Funds na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira, 18. A manutenção era amplamente esperada por analistas, com as incertezas trazidas pela guerra no Oriente Médio.
O presidente do Fed, Jerome Powell, recolocou no radar o risco de aumento das taxas de juro.
Powell afirmou que os dirigentes do Comitê debateram a possibilidade de elevar os juros na próxima reunião, em abril, em meio aos temores quanto aos impactos econômicos da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã.
"O assunto de fato surgiu hoje (quarta-feira, 18). A possibilidade de que nosso próximo passo possa ser um aumento foi, sim, levantada na reunião, tal como ocorreu no encontro anterior", disse ele, em coletiva de imprensa, nesta tarde.
Segundo ele, a grande maioria dos dirigentes do Fomc não considera a possibilidade de aumento das taxas em seu cenário-base. E, naturalmente, não descartam nenhuma opção, acrescentou.
Powell explicou que os dirigentes tiveram uma conversa sobre os riscos dos dois lados do mandato da autoridade. No encontro, ele afirmou que vários dirigentes mencionaram que as expectativas de inflação de curto prazo subiram. No entanto, a maioria dos itens analisados ainda estão "sólidos", segundo ele.
"Creio que todos concordam, de fato, que continuaremos a monitorar esses indicadores com extrema atenção, à medida que observamos a materialização dos efeitos do conflito sobre os preços", disse o presidente do Fed.
Conforme ele, muito será aprendido até o próximo encontro. "O que acontecer no Oriente Médio será um grande fator", projetou Powell. "É tudo muito incerto", avaliou. Ele afirmou ainda que o choque no fornecimento de energia é um "evento isolado".