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Eternit faz aposta no mercado de casas e edifícios pré-fabricados para expandir atuação

Em materiais de construção, a telha de fibrocimento ainda representa mais de 90% da receita da empresa, que ficou seis anos em recuperação judicial

21 mai 2026 - 18h13
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Após seis anos em recuperação judicial, encerrada em agosto de 2024, a Eternit vem reposicionando seus negócios. O grande baque na empresa se deu no final de 2017, com a proibição no País do uso da fibra de amianto crisotila na fabricação de telhas de fibrocimento.

De lá para cá, o grupo apostou em várias iniciativas, como as telhas fotovoltaicas. Esse negócio, porém, não resistiu à concorrência de fabricantes chineses, grandes exportadores de painéis solares a baixos preços. O plano mais recente, da construção industrializada, de 2023, visou usar a expertise de décadas na indústria de materiais de construção e, nesse caminho, avançar além do telhado.

O objetivo é se tornar um grande fornecedora de produtos modulares ? como placas cimentícias e outros ? para preenchimento e revestimento de paredes internas e externas de casas ou edifícios pré-fabricados.

"Esse mercado avança a passos largos", diz Rodrigo Inácio, CEO da Eternit. O executivo está na empresa desde 2017 e ocupa a presidência há um ano. No primeiro trimestre deste ano, segundo balanço do grupo, houve avanço de 17,7% na receita do segmento de construção industrializada em relação a igual período de 2025, atingindo quase R$ 15 milhões. "O segmento será um dos principais vetores de inovação e crescimento da Eternit", destacou.

Unidade industrial da Eternit para produção de telhas de fibrocimento em Colombo (PR).
Unidade industrial da Eternit para produção de telhas de fibrocimento em Colombo (PR).
Foto: Eternit/Divulgação / Estadão

É um mercado a ser mais desbravado pela companhia, fundada em 1940 e listada na Bolsa de Valores oito anos depois. O produto carro-chefe da Eternit são as tradicionais telhas de fibrocimento, que respondem por quase dois terços da receita líquida total da empresa, de R$ 1,15 bilhão em 2025. Uma fatia importante, em torno de 30%, ainda vem da exportação de fibra de amianto crisotila extraído em Goiás.

A construção industrializada representou cerca de 5%, com valor de R$ 52 milhões em 2025. "Neste ano temos expectativa de que essa nova área responda por 15% da receita gerada no segmento de materiais para a construção (telhas de fibrocimento e produtos para construção industrializada)", diz Inácio. Ou seja, mais que dobrar em relação ao ano passado, quando chegou a 6,5%.

O executivo cita os sistemas construtivos steel frame e wood frame ? estruturas metálicas e de madeira ? como grandes usuários de placas moldadas em cimento, que vão no fechamento das paredes. Ele diz que foram mapeados 150 potenciais clientes para os produtos desse segmento, desenvolvido a partir de 2022.

Para avançar na construção industrializada, vista como um caminho estratégico do futuro da companhia, a Eternit vem investindo em conversão de máquinas e equipamentos das fábricas. A unidade de Colombo, no Paraná, está ganhando uma nova máquina este ano e será o centro de desenvolvimento das tecnologias desse processo industrial, inclusive formando mão de obra, explica o CEO. A próxima unidade a fazer conversões de máquinas será a de Hortolândia, em São Paulo.

O montante a ser investido não é baixo, mas é inferior ao que se gastaria para erguer uma nova fábrica dedicada - cerca de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões cada máquina. "A base estratégica e estrutural do futuro da companhia está na construção industrializada", resume o CEO.

Reorganização de negócios

A adaptação à nova situação, após o choque da proibição do uso da fibra de amianto crisotila no processo de fabricação de telhas, obrigou a empresa a desenvolver nova matéria-prima, uma fibra de resina de polipropileno. Montou uma fábrica específica em Manaus. Essa unidade, atualmente, abastece as seis unidades fabris de telhas ? Colombo , Hortolândia, Rio de Janeiro, Goiânia, Caucaia (CE) e Simões Filho (BA).

Rodrigo Ângelo Inácio, presidente executivo (CEO) da Eternit: no cargo desde março de 2025
Rodrigo Ângelo Inácio, presidente executivo (CEO) da Eternit: no cargo desde março de 2025
Foto: Eternit/Divulgação / Estadão

A substituição da fibra de amianto por fibra sintética foi feita desde o início de 2018 pela unidade de Manaus. Com a recuperação judicial, a empresa vendeu ativos, como a área de louças sanitárias, e outros bens. A dívida arrolada na Justiça foi de R$ 230 milhões.

A Tégula S/A, responsável pelo negócio de telhas fotovoltaicas e de concreto, teve as operações desmobilizadas na fábrica de Atibaia (SP). Primeiro, em março de 2025, foram as linhas de telhas à base solar. A controlada foi incorporada pela Eternit alguns meses depois, em agosto.

Na época, a Eternit informou que tomou a decisão de descontinuidade das linha de produtos "após uma busca incessante por alternativas mais competitivas e inovadoras ao longo de cinco anos de investimentos". Um fator foi que, paralelamente, o mercado chinês de placas fotovoltaicas reduziu o preço de seus produtos de forma consistente, com queda pela metade nos dois anos anteriores (2023 e 2024), impactando todo o mercado fotovoltaico nacional.

Antes do fim do ano passado, em dezembro, a companhia aprovou a descontinuidade da operação de telhas de concreto. A Eternit justificou que o segmento vinha apresentando volumes de produção muito abaixo do esperado, apresentando resultados deficitários.

No movimento de reorganização feito a partir de 2024, para ganho de eficiência, a Eternit decidiu também transferir sua sede da capital paulista para o mesmo prédio da fábrica de Hortolândia, no interior de São Paulo, a Confibra. Essa unidade foi adquirida em 2021, dentro do plano de recuperação judicial, por R$ 110 milhões. A nova sede deverá receber cerca de 130 funcionários.

A empresa encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 49 milhões, alta de 26%, e dívida líquida de R$ 111,8 milhões. A dívida subiu para R$ 124 milhões ao final do primeiro trimestre deste ano.

Fábrica de fibra de resina plástica polipropileno da Eternit em Manaus, substituta da fibra de amianto crisotila
Fábrica de fibra de resina plástica polipropileno da Eternit em Manaus, substituta da fibra de amianto crisotila
Foto: Eternit/Divulgação / Estadão

Futuro do amianto em Minaçu sub judice

Ainda tem peso relevante na companhia a receita gerada com a produção e exportação de fibra de amianto crisotila, extraída e processada em Minaçu (norte de Goiás). A receita gerada em 2025 atingiu R$ 373 milhões, com embarques de 169 mil toneladas de fibra, principalmente para Índia, Indonésia, Sri Lanka, Tailândia, Vietnã e outros países da Ásia. Um cliente na América do Sul é a Bolívia.

Essa atividade se mantém graças a uma lei do Estado de Goiás, de 2019, que autorizou a extração e beneficiamento do amianto crisotila em Minaçu, especificamente para exportação. O Supremo Tribunal Federal (STF) julga a legalidade dessa lei, que contrariou a proibição nacional da Corte, em 2017. A fibra, desde 2018, tem venda e uso proibidos no mercado interno.

Em agosto de 2024, foi sancionada a Lei 22.932 do Estado de Goiás que ficou prazo de cinco anos para o encerramento das atividades de extração e beneficiamento do amianto, porém contado a partir da assinatura do termo de Compromisso de Cumprimento de Obrigações, o que não se efetivou até o momento. "Estamos, a companhia e nós, todos cientes disso e preparados", diz Rodrigo Inácio.

Capital pulverizado

Listada no Novo Mercado da B3 desde 2006, a Eternit é qualificada como uma companhia corporation, ou seja, com capital pulverizado no mercado e sem controlador acionário definido.

Os principais acionistas da companhia, com participação acima de 5%, são o fundo D+1 Fundo de Investimento em Ações, com 27,19%, e o investidor Luiz Barsi Filho, com 5,02%.

A empresa praticamente divide o mercado de telhas de fibrocimento com a gigante Brasilit (grupo Saint Gobain): cada uma tem participação de 30%. Os 40% restantes são disputados por cinco empresas de controle familiar, segundo informou Inácio.

A marca Eternit foi criada a partir de tecnologias desenvolvidas pelo austríaco Ludwig Hatschek, popularizada pela empresa belga Etex, proprietária da marca. A unidade industrial mais icônica da Eternit operou na Itália de 1906 a 1986 em Casale Monferrato, uma região rica em calcário, usado na indústria do cimento.

No Brasil, a empresa foi constituída em 1940, trazida pela Eternit A.G., da Suíça, e por investidores belgas, e adotou o nome de Eternit do Brasil Cimento Amianto S/A. Instalou a primeira fábrica em Osasco (SP), na época um bairro de São Paulo. Começou a operar em 1941, fabricando chapas lisas, telhas de fibrocimento e caixas-d'água à base de amianto.

Estadão
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