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Estudo do Fed de Boston diz que produtividade atenuou impacto das tarifas sobre a inflação

19 ago 2026 - 12h10
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Os sólidos níveis de produtividade dos EUA parecem ter atenuado ‌o impacto inflacionário total das tarifas comerciais em grande escala impostas pelo presidente Donald Trump, segundo uma nova pesquisa do Banco da Federal Reserve de Boston.

"Os setores nos quais as tarifas geraram custos mais elevados em 2025 também registraram maior crescimento da produtividade do trabalho, o que os ajudou a mitigar esses custos mais altos", escreveram os pesquisadores do banco em um artigo divulgado nesta quarta-feira.

Isso significa que, embora as empresas possam ter enfrentado ⁠custos mais altos de insumos devido aos aumentos de impostos do presidente, ao obterem maior produção com suas forças ‌de trabalho, elas conseguiram evitar repassar esses custos. Isso, por sua vez, ajudou a inflação — que vem ficando acima da meta de 2% do Fed há meia década — a ficar mais baixa do que teria ficado ‌de outra forma devido aos impostos.

No total, as tarifas, que subiram de ‌um nível médio de 2,5% antes da volta de Trump para 10%, aliadas a taxas de produtividade ⁠sólidas, adicionaram 0,5 ponto percentual ao nível básico do índice de preços dos gastos com consumo pessoal, constataram os autores.

Os analistas afirmaram que as empresas que enfrentaram fortes aumentos de custos relacionados às tarifas conseguiram manter a produção estável ao mesmo tempo em que reduziram a mão de obra, e "a redução das horas de trabalho contribuiu para um maior crescimento da produtividade do trabalho".

O artigo observou que a magnitude do impulso ascendente que as tarifas ‌adicionaram às pressões sobre os preços desde 2025 significa que a culpa pela alta inflação pode recair sobre outros ‌fatores.

"Os ganhos de produtividade, portanto, compensaram ⁠fortemente o aumento nos preços ⁠ao consumidor induzido pelas tarifas", escreveram os economistas, observando que "dados os ganhos de produtividade no trabalho, a inflação deveria ter ficado ⁠mais próxima de 2%", em vez dos níveis observados no último ‌ano.

"Outros fatores, cujos efeitos sobre a ‌inflação podem ser menos transitórios do que os das tarifas, também podem ter contribuído significativamente para a inflação", escreveram eles.

Outras pesquisas do Fed, no entanto, têm sustentado que as tarifas foram repassadas de forma acentuada aos consumidores, com um estudo recente do Fed de Nova York indicando que ainda há mais inflação ⁠por vir devido à política comercial de Trump.

FATORES QUE IMPULSIONAM A INFLAÇÃO

Ao longo do último ano e meio, aproximadamente, as tarifas de Trump tiveram um papel de destaque no debate sobre a inflação e sobre como o Fed deveria lidar com essa situação por meio da política monetária.

Depois que as pressões sobre os preços aumentaram devido às perturbações relacionadas à Covid-19 e às políticas expansivas ‌de apoio do governo, a inflação vinha voltando à meta quando Trump retornou à Casa Branca no início de 2025. Seus aumentos nos impostos sobre importações tornaram-se um dos principais fatores que deram início a um ⁠ressurgimento da inflação, na opinião de muitos autoridades do Fed e economistas do setor privado.

Nos últimos meses, autoridades do banco central têm associado os níveis de inflação acima da meta ao impacto contínuo das tarifas, mesmo prevendo que o impacto dessas medidas diminua, juntamente com os preços mais altos da energia ligados à guerra com o Irã.

Outro fator que tem impulsionado a inflação é a expansão do boom da infraestrutura tecnológica do país. Muitos esperam que o investimento em inteligência artificial, que vem impulsionando os gastos com tecnologia, seja uma força que, em última instância, reduza a pressão inflacionária em algum momento no futuro.

Os autores do estudo afirmaram que o cenário de produtividade que limita a inflação pode resultar de tendências de longo prazo ou do fato de empresas que dependiam de insumos estrangeiros mais caros estarem sendo forçadas a sair do mercado. Os autores afirmaram que isso também pode se resumir a empresas que investem mais em equipamentos e produção para reduzir os custos de mão de obra diante dos aumentos nos custos dos insumos impulsionados pelas tarifas.

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