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Moderna (MRNA) dispara 134% após resultado positivo de vacina contra câncer

19 ago 2026 - 12h11
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Moderna
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Foto: Suno

As ações da Moderna (MRNA) estão disparando cerca de 134% na Nasdaq na manhã desta quarta-feira (19), negociadas a US$ 147,25, após a companhia anunciar resultados positivos de Fase 3 para sua vacina contra câncer desenvolvida em parceria com a Merck (MRK). O movimento representa uma das maiores altas intradiárias da história da empresa.

A forte alta das ações da Moderna ocorre após o anúncio dos resultados do estudo INTerpath-001, que avaliou o intismeran autogene, uma vacina contra câncer individualizada baseada em tecnologia mRNA, em combinação com o Keytruda, que é um imunoterápico desenvolvido pela Merck.

O ensaio envolveu 1.137 pacientes com melanoma cutâneo de alto risco, um tipo agressivo de cancêr de pele, que haviam passado por cirurgia de ressecção completa do tumor. O tratamento combinado mostrou melhorias estatisticamente significativas e clinicamente relevantes tanto na sobrevida livre de recorrência (RFS) quanto na sobrevida livre de metástase a distância (DMFS), em comparação ao Keytruda isolado.

É a primeira vez que uma terapia oncológica baseada em mRNA demonstra benefício clínico em um ensaio de Fase 3, o que explica a dimensão da reação do mercado.

Como funciona a vacina contra câncer

O intismeran não é uma vacina preventiva convencional. Ela é produzida sob medida para cada paciente a partir do sequenciamento genético do tumor removido cirurgicamente.

O processo parte da identificação de até 34 neoantigênios, que são mutações específicas daquele tumor, presentes apenas nas células cancerosas daquele paciente. Uma molécula de mRNA é então sintetizada para codificar esses alvos e administrada ao paciente, ensinando o sistema imunológico a reconhecer e atacar células que carregam essas mutações.

O Keytruda atua de forma complementar: bloqueia a proteína PD-1, que os tumores usam para escapar da vigilância imunológica. A combinação une os dois mecanismos, um aponta o alvo específico e o outro remove o freio da resposta imune.

Os participantes receberam até nove doses da vacina personalizada junto ao Keytruda ao longo de aproximadamente um ano. O perfil de segurança foi consistente com o de cada agente isolado, sem novos sinais identificados. Os efeitos adversos mais comuns relacionados ao intismeran foram reações no local da injeção, fadiga e calafrios.

Próximos passos e impacto para a Moderna

Os resultados foram classificados como históricos por executivos da empresa. Com isso, a Merck e a Moderna planejam submeter os dados às autoridades regulatórias ao redor do mundo para buscar aprovação do intismeran no tratamento adjuvante do melanoma de alto risco.

A FDA americana já havia concedido ao produto a designação de Terapia Inovadora (Breakthrough Therapy Designation) com base nos dados da Fase 2, o que deve acelerar a revisão regulatória.

Há ainda um segundo ensaio de Fase 3 em andamento, o INTerpath-002, que avalia o intismeran combinado ao Keytruda em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC) ressecado de alto risco.

Para a Moderna, o sucesso do INTerpath-001 representa potencialmente a primeira linha de receita oncológica da companhia, que vinha acumulando quedas expressivas de receita com o declínio da demanda por sua vacina de COVID-19. A parceria com a Merck prevê divisão de custos e receitas entre as duas empresas, com a Moderna responsável pela plataforma mRNA e pela fabricação personalizada, e a Merck pelo Keytruda e pela infraestrutura comercial oncológica.

O melanoma é o câncer de pele mais letal, com cerca de 100 mil novos casos diagnosticados por ano apenas nos Estados Unidos.

Além do salto da Movida, as ações da Merck também subiram no pré-mercado, embora com variação muito menor, dado o porte da companhia e o fato de que o Keytruda já é o medicamento de maior faturamento global, com receitas anuais superiores a US$ 25 bilhões. A patente principal do imunoterápico começa a expirar por volta de 2028, e a combinação com o intismeran pode representar uma estratégia de extensão de valor no segmento adjuvante para a Moderna.

Suno
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