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Inadimplência tem mínima recorde em julho apesar de crise por Covid-19, aponta BC

28 ago 2020
09h37
atualizado às 12h49
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Apesar da crise com o coronavírus e do temor generalizado dos bancos acerca de calotes, a inadimplência no Brasil caiu a uma mínima recorde em julho de 3,5%, dado que abarca o segmento de recursos livres, em que as taxas são definidas livremente pelas instituições financeiras.

Prédio do Banco Central em Brasília. REUTERS/Ueslei Marcelino
Prédio do Banco Central em Brasília. REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

No mesmo mês do ano passado, a inadimplência havia sido de 4,0%, apontou o Banco Central nesta sexta-feira. Já em junho deste ano o percentual ficou em 3,7%.

A inadimplência de 3,5% é a menor da série histórica do BC, iniciada em março de 2011, e vem em meio à forte recomposição de renda proporcionada pelo programa de auxílio emergencial, que desde abril concede benefício de 600 reais a informais e vulneráveis.

Após ser prorrogado por mais dois meses, o programa termina em agosto, mas o presidente Jair Bolsonaro já afirmou que irá estendê-lo até dezembro, embora a um menor valor.

Segundo o chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, é possível, sim, que o auxílio emergencial tenha tido papel na redução da inadimplência, uma vez que, no agregado, houve uma "muito elevada" recomposição de renda com o programa.

Além disso, ele afirmou que há pelo menos dois fatores mitigando o impacto da crise na inadimplência: um movimento grande de renegociações e repactuações dos financiamentos e a possibilidade de postergação de parcelas, instituída por bancos.

Questionado se, com a queda da inadimplência, os bancos poderiam reorientar sua estratégia de provisionamento, Rocha sinalizou ser possível que as instituições ainda analisem esse quadro.

"Estou provisionado e preparado para a inadimplência. Se essa inadimplência vier, se crescer, já estou provisionado e o banco continua sólido. Se ela não vier, passada uma incerteza, começa a baixar projeções, melhora o meu resultado e vida que segue", disse.

Em relação ao custo dos financiamentos no país, os juros médios seguiram em trajetória cadente em julho, a 27,3% ao ano, contra 28,2% no mês anterior, também no segmento de recursos livres.

O spread, que mede a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada a seus clientes, recuou no mesmo segmento a 23,0 pontos percentuais, de 23,7 pontos em junho.

AUMENTO DO ESTOQUE

Segundo o BC, o estoque total de crédito no Brasil subiu 1% em julho sobre junho, acelerando o ritmo diante das operações voltadas a empresas e passando a 3,666 trilhões de reais.

Com isso, o saldo total de financiamentos no país avançou a 51,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre as pessoas jurídicas, o aumento foi de 1,2% no mês e de 15,0% no acumulado em 12 meses, destacou o BC. Nos 12 meses até junho, esse crescimento havia sido de 11,8%.

Já entre as pessoas físicas, houve expansão de 0,9% no crédito em julho e de 8,5% em 12 meses, mesmo percentual registrado no acumulado até o mês anterior.

Em nota, o BC destacou que, olhando apenas para o crédito livre, em que as taxas de juros são fixadas livremente pelas instituições financeiras, houve elevação para as pessoas jurídicas de 0,5% em julho e de 26,1% em 12 meses, com destaque para as operações de capital de giro, especialmente com prazo superior a um ano.

No crédito direcionado às empresas, a alta foi de 2,5% no mês, ajudada pelas contratações fechadas no âmbito do Pronampe, programa do governo de concessão de garantias para empréstimos a micro e pequenas empresas. Em 12 meses, houve retração de 0,3%, complementou o BC.

No crédito livre para famílias, o BC chamou a atenção para as altas observadas em julho em cartão de crédito à vista (+5,1%), crédito pessoal consignado (+1,1%) e financiamento de veículos (+0,6%).

De janeiro a julho, a alta geral no crédito no país foi de 5,4% e, em 12 meses, de 11,3%.

Para 2020, o BC havia previsto em junho crescimento do crédito de 7,6%, puxado pelos financiamentos às empresas em função da necessidade de caixa diante da queda nas vendas em meio à pandemia de coronavírus.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem dito que o crédito é um importante componente na definição do formato da retomada econômica no pós-coronavírus e que a experiência de outros países tem mostrado isso.

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