PUBLICIDADE

ESG não é moda: empresas têm de saber onde querem chegar

Ações ligadas a sustentabilidade e diversidade não devem ser corrida oportunista; tema foi debatido no Summit ESG, evento online realizado pelo 'Estadão'

17 jun 2021 15h31
| atualizado às 16h54
ver comentários
Publicidade

Acelerar mudanças dentro das empresas para que abracem as pautas de sustentabilidade e diversidade é fundamental, mas pouco adianta o ritmo se a direção não estiver correta. Alinhar o rumo das transformações demanda reflexão interna; sem isso, o risco é de que a sigla ESG (relativa a questões ambientais, sociais e de governança) se torne apenas um modismo dentro das corporações.

Foto: Thithawat_s/iStock

O segundo painel desta quinta-feira, 17, no Summit ESG, evento realizado pelo Estadão (https://summitesgestadao.com.br/), discutiu caminhos para que empresas e outras instituições deem relevância a esses temas. Participaram do debate Fábio Costa, gerente-geral da Salesforce Brasil, Gabriela Alves Guimarães, sócia da FourEthics Consultoria, Raiane Assumpção, vice-reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Ricardo Sales, consultor de diversidade, consultor e sócio da Mais Diversidade.

Painel online do Summit ESG discutiu caminhos para que empresas abracem as pautas de sustentabilidade e diversidade.
Painel online do Summit ESG discutiu caminhos para que empresas abracem as pautas de sustentabilidade e diversidade.
Foto: Reprodução / Estadão

Segundo Gabriela, é preciso garantir que as ações ligadas à agenda ESG não sejam apenas uma corrida oportunista a fim de atender à expectativa do mercado. Para garantir mudanças orgânicas, iniciativas de sustentabilidade e inclusão não podem ser pontuais e as reflexões devem fazer parte da rotina dos líderes. "Muitas vezes a bandeira levantada não representa a prática ou as ações são isoladas."

Para Sales, o rumo é tão importante quanto o ritmo das mudanças. "Vai mais longe não só quem acelera, mas quem sabe para onde ir." O consultor lembrou que ainda é pequena a participação de negros em altos cargos nas empresas. "Programas de trainee e estágio dedicados a talentos negros são iniciativas tímidas. Precisamos de muitas mais e que o esforço recaia sobre as posições de liderança."

O desafio também alcança a universidade. Há mais negros, por exemplo, ingressando em cursos superiores, mas é preciso garantir que concluam suas formações para chegar, de fato, ao mercado de trabalho. O novo perfil de alunos, diz Raiane, "provoca a universidade a fazer mudanças de toda ordem". A instituição de ensino deve se questionar sobre a forma como cargos de gestão na universidade são ocupados e o desenho de currículos para incluir essas temáticas.

Para Gabriela, a mudança é cultural e, nesse sentido, as universidades e sua função educativa desempenham papel importante. "Estamos falando da formação de um novo perfil de profissional. Precisamos fazer com que essa mudança seja orgânica porque qualquer mudança cultural muito rápida acaba por se tornar falsa, não se sustenta ao longo do tempo", diz a sócia da FourEthics Consultoria.

E não basta apenas incluir: é preciso dar voz aos diversos grupos dentro de uma empresa. "O ciclo (de inclusão) passa por garantir que pessoas que foram incluídas sejam realmente escutadas. Esse é o maior desafio", diz Costa. Se as minorias não se sentem à vontade para falar, o risco é de que apenas as ideias dos grupos que sempre tiveram espaço continuem ganhando eco na companhia.

Na Salesforce, segundo Costa, foram criadas equipes dedicadas a pensar na inclusão racial, de gênero e diversidade religiosa. A meta é que esse processo educativo interno ganhe escala dentro da organização e também contamine outras instituições.

Se o papel das empresas nesse movimento está ficando cada vez mais evidente, também não se deve perder de vista a atuação do governo, segundo Sales. "Não existe pauta ESG fora do campo da democracia." Para ele, é preciso que as empresas participem dos debates públicos e se posicionem em favor da garantia dos direitos humanos.

Estadão
Publicidade
Publicidade