Entenda os desafios que marcas latinas enfrentam no Brasil
Bem-vindo ao Brasil: executivo aponta os principais desafios que marcas latinas devem superar para se consolidar no mercado nacional
A representatividade do Brasil no mercado da América do Sul é predominante. Segundo dados mais recentes, levantados pelo Banco Mundial, o país foi responsável por mais de 50% do Produto Interno Bruto do continente no ano de 2021, números que atraem empreendimentos, principalmente startups, de países vizinhos ao território brasileiro.
Muitos destes players se inspiram em cases de sucesso de empresas latinas que alcançaram o topo no mercado brasileiro, como o Mercado Livre, marketplace de origem argentina, e do Rappi, serviço de delivery fundado na Colômbia.
Entretanto, poder usufruir do potencial que o mercado brasileiro oferece é um caminho com obstáculos que vão desde questões de concorrência até aspectos culturais que devem ser levados em consideração ao implementar um negócio em um país com um território extenso.
Tais desafios foram presenciados por Thiego Goularte, country manager Brasil da Zubale, empresa de origem mexicana que busca elevar o ecossistema de e-commerce da América Latina.
“Do ponto de vista das empresas que buscam adentrar no Brasil, o cenário que elas se deparam é intimidador, afinal, estamos falando de um país com uma extensão continental, com suas próprias particularidades de linguagem e cultura entre as regiões, então, muito além do contexto de competir no mercado com empresas de origem brasileira, as marcas devem pensar primeiramente em se adaptar ao país”, comenta o executivo, que antes de trabalhar na Zubale, possuía um cargo na direção do Rappi.
Hora de decidir "abrasileirar"
Segundo o executivo, para “abrasileirar” a empresa, é preciso compreender não apenas o comportamento do consumidor no país, mas também, como é a cultura de trabalho no país, seja na relação do colaborador com a empresa ou dos líderes com suas equipes.
“É preciso trabalhar com o propósito da empresa. O trabalho para o brasileiro é parte da vida e não a vida como um todo. É preciso fazer com que os colaboradores entendam o porquê que elas estão realizando as tarefas designadas a eles diariamente. Se isso não for trabalhado, as marcas vão perder talentos com frequência devido a alta competitividade do mercado”, comenta.
Quanto ao mercado de maneira geral, as marcas precisam estar preparadas para enfrentar uma concorrência que muitas vezes já está bem encaminhada por possuir origens nacionais. No caso da Zubale, que está inserida no contexto do mercado varejista e e-commerce, o setor ainda está em uma jornada inicial de transformação social.
“Por se tratar de algo que está se estabelecendo ainda, temos um papel educacional e consultivo a ser exercido a fim de elevar a discussão desse mercado. Estamos há pouco mais de um ano e meio no Brasil, então estamos nesse processo de compreensão do mercado e conseguindo nos aproximar de grandes marcas do varejo”, diz Thiego.
Ao todo, já são mais de 700 mil pedidos gerenciados pelo ecossistema da Zubale até julho de 2023, advindos de mais de 100 clientes e mais de 20 mil lojas e pontos de venda ao redor do mundo. Somente no Brasil, são mais de 10 clientes que atuam em mais de 30 cidades.
A Zubale gera 3 milhões de empregos diretos e indiretos. Os parceiros independentes, chamados de Zubaleros, fazem parte da gig economy, termo em inglês para economia sob demanda, um novo conceito sobre dinâmica de trabalho.
(*) HOMEWORK inspira transformação no mundo do trabalho, nos negócios, na sociedade. É criação da Compasso, agência de conteúdo e conexão.
