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Empresas se inspiram em modelo internacional para ampliar mercado livre de energia

Empresários e consultores têm feito viagens anuais para países com mercados maduros; objetivo é adaptar iniciativas

31 jan 2024 - 03h10
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A ampliação do mercado livre de energia tem levado as comercializadoras brasileiras a buscar em outros países exemplos de negócios e produtos que podem ser replicados aqui. Para isso, uma comitiva de empresários e consultores brasileiros têm viajado todos os anos para mercados onde a modalidade está mais desenvolvida. Hoje, pelo menos 35 países têm mercado de energia com alto grau de liberalização.

No fim de 2023, o destino da comitiva foi o Estado americano do Texas, onde a comercialização de energia é liberalizada há mais de 20 anos, e tem 85% do consumo de energia no mercado livre. Nesse período, de acordo com uma análise da consultoria Thymos, foi possível desenvolver um ambiente competitivo, com efeitos nos preços ao consumidor final e incentivos ao crescimento das fontes renováveis.

Entre 2006 e 2019, por exemplo, o Estado saiu da 40ª posição no ranking de preços de energia ao varejo, para a 14ª. "Foi uma experiência de ver o mercado livre em seu extremo, com diversos produtos e serviços sendo ofertados de maneira bem dinâmica", disse o sócio e diretor da Thymos, Alexandre Viana.

Na avaliação dele, o momento atual das comercializadoras é incentivar a saída dos consumidores do mercado regulado, atendido pelas distribuidoras, para entrar no livre. Hoje isso tem sido feito principalmente sob o argumento de economia na conta de luz, de cerca de 35% para quem opta pela migração.

Experiências internacionais demonstram queda nos preços com aumento da concorrência no mercado de energia
Experiências internacionais demonstram queda nos preços com aumento da concorrência no mercado de energia
Foto: Daniel Teixeira / Estadão / Estadão

Entretanto, nos próximos três anos, a tendência é que a maior parte dos consumidores elegíveis para fazer a migração já estarão no mercado livre, o que dará início a uma nova fase na competição por clientes, onde o ganho de eficiência e serviços de valor adicionado podem fazer a diferença.

Viana cita que no Texas, assim como no Reino Unido, algumas companhias de energia oferecem pacotes com descontos em determinados horários, serviços de medição e até parcerias com empresas de streaming, para atrair os consumidores. Ele cita como exemplo parcerias com o serviço Amazon Prime, além de pacotes com preços fixos e variáveis, ou benefícios como final de semana sem cobrança.

Competição

O executivo lembra que, no caso brasileiro, embora algumas empresas já comecem a testar produtos e serviços, a tendência é que a competição mais acirrada aconteça no futuro, quando a maioria dos consumidores com potencial de migração já tiverem deixado a distribuidora. "Em dois ou três anos já estará bem competitivo, mas hoje o foco está na aquisição do cliente."

No Brasil, as comercializadoras já estão se preparando para este momento e começando a desenvolver as primeiras iniciativas, como a 2W, Comerc e Delta. O vice-presidente de Finanças da 2W, André Berenguer, afirma que o objetivo é criar novos produtos para os clientes que optarem pelo mercado livre. "Além de um preço mais baixo (do que na distribuidora), a gente quer agregar mais coisas para o cliente."

Mesmo caminho está sendo trilhado pela Comerc. O vice-presidente da comercializadora, Marcelo Avila, afirma que a empresa tem buscado parcerias para prospectar, mas também para oferecer serviços como eficiência energética.

Em relação à competição, o executivo destaca que no Brasil ela terá como diferencial o fato de o mercado aqui funcionar baseado em contratos de prazo mais longo, com mais de três anos. "Lá fora o consumidor costuma trocar mais rápido, enquanto aqui os contratos são de mais longa duração. Por isso é necessário captar a maior quantidade possível de novos contratos. E depois, num segundo momento, ficará mais forte a disputa por serviços de valor adicionado."

Regulação

Outro aspecto considerado fundamental para a ampliação do mercado livre no Brasil é a regulação. Embora nos últimos anos tanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quanto a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) tenham avançado para dar mais segurança às operações e para melhorar o ambiente regulatório, agentes do setor têm olhado com atenção para o que acontece no exterior e o que pode ser replicado no mercado local.

No Texas, mais um exemplo pode ser observado: a adoção de medidas regulatórias ajudaram a estabilizar os níveis de competição, favorecendo o surgimento de inúmeras empresas fornecendo, além de energia, diversos serviços ao consumidor. Regras também foram criadas para evitar que as empresas exercessem poder de mercado e também para reduzir a volatilidade dos preços.

Lá, o consenso é que a abertura de mercado foi positiva em termos de ofertas, produtos e número de empresas atuando no mercado. Existe atualmente uma ampla oferta de fornecedores no Texas, e os resultados foram especialmente positivos entre 2002 e 2020.

Estadão
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