Empenho de produtores com ajuda de empresas regenera solo para cultivo
Agricultor dribla falta d'água com manejo sustentável no Maranhão; área de proteção ambiental é restaurada no Paraná
A família do produtor Joel Carlos Hendges se mudou do Sul para o Nordeste do País, no Cerrado brasileiro, há mais de 40 anos. Sócio da fazenda Agropecuária Seis Irmãos, em Balsas, no Maranhão, ele enfrentou o desafio de fazer lavoura sustentável em uma região com escassez de água. São mais de 8 mil hectares cultivados com a assessoria da Preserv Ambiental, por meio de um dos programas da Cargill. A empresa oferece auxílio técnico e incentivo para sistemas agrícolas de baixo carbono na produção de soja em áreas já desmatadas, que estão sendo recuperadas.
A meta é ambiciosa: nos próximos cinco anos, a companhia pretende recuperar 100 mil hectares, uma área equivalente à cidade de Nova York, sobretudo no Cerrado brasileiro, um dos biomas mais críticos do País. Para isso, um conjunto de programas conecta ambientalistas, empresários e acadêmicos no apoio aos agricultores que se dispõem a adotar práticas mais sustentáveis. "Os produtores têm um papel central na jornada de termos uma agricultura sempre à frente e sustentável. E também financeiramente viável", disse Renata Nogueira, líder de Sustentabilidade das Cadeias de Suprimentos Agrícolas da Cargill na América do Sul.
O desenvolvimento do programa de restauração reuniu especialistas do Brasil, como pesquisadores de universidades, e instituições como Agroícone, Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Bioflora, Conservation International, Instituto Perene, SLC Agrícola, Solidaridad, Way Carbon e World Resources Institute, que se reuniram durante mais de um ano para desenhar a proposta. Na fase piloto, foram selecionados sete iniciativas de restauração em diferentes biomas, somando 6 mil hectares.
Os projetos apoiados são Territórios da Mata, em Machadinho (RS), com a Solidaridad; Iniciativa Verde, com Agroícone e Caminhos da Semente; Rede de Sementes do Cerrado, com Araticum, ICMBio e cooperativas rurais locais; Pretaterra, com fundo UBS Optimus; Projeto reNascer, com o Instituto Perene; Orla do Lago Paranoá, com o governo do Distrito Federal, e Fazenda São Geraldo, em parceria com a Bioflora.
Os novos programas criados em parceria com organizações ambientais nacionais e regionais também irão apoiar os agricultores no desenvolvimento de técnicas para gerenciar suas áreas produtivas de forma mais sustentável. Vão ainda fornecer incentivos e recursos para aumentar a lucratividade e ajudar os agricultores na regularização ambiental. Um exemplo é a parceria com a consultoria Preserv, do Maranhão, que atua junto a 35 produtores de cinco municípios do sul do Estado, entre eles Joel Hendges.
O projeto abrange uma área de 60 mil hectares do bioma Cerrado e também apoia os produtores para promover a regularização ambiental em suas propriedades visando a inclusão no Cadastro Ambiental Rural, o que facilita acesso a financiamentos e recursos oficiais.
Outro programa patrocinado pela Cargill é o Regenera Cerrado, concebido a partir da inquietação de um grupo de produtores do sudoeste de Goiás, interessados em transformar a agricultura tradicional com práticas sustentáveis. Criado no Fórum do Futuro, em 2022, o programa é executado pelo Instituto BioSistêmico (IBS) e tem parceria com onze instituições nacionais e internacionais, abrangendo 12 fazendas da região, no entorno do município goiano de Rio Verde. "Entendemos que, por meio da agricultura, iremos enfrentar os desafios das mudanças climáticas", disse Ingrid Graziano, gerente de Soluções de Sustentabilidade da Cargill.
Outra iniciativa
No Paraná, pequenos agricultores não estão empenhados apenas em reduzir a emissão de gases de efeito estufa em suas propriedades, mas de recompor a Mata Atlântica que existia na região plantando espécies nativas como o cedro, o guapuruvu e a palmeira juçara. O projeto, uma iniciativa da Portos do Paraná, que administra o Porto de Paranaguá, já atingiu uma área de 19 hectares com o plantio de 35,5 mil mudas de 112 espécies. A recuperação florestal é feita em propriedades agrícolas na Área de Proteção Permanente de Guaraqueçaba, em Antonina, e abrange quatro bacias hidrográficas.
O agricultor Zinel Leman dos Santos cultiva alimentos para a merenda escolar, como mandioca, verduras e legumes. O projeto trouxe mais qualidade de vida para os três filhos e fartura na mesa para toda a família. "É a oportunidade para que possamos ter não só uma sombra, mas também aproveitar os frutos da terra e garantir o oxigênio para muita gente respirar."