Dólar volta a superar os R$5,20 puxado pelo exterior
O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real e novamente acima dos R$5,20, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, em uma sessão no Brasil também permeada pela disputa eleitoral.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,92%, aos R$5,2102. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,08%.
Às 17h20, o dólar futuro para agosto -- o mais líquido do mercado brasileiro -- subia 0,95% na B3, aos R$5,2500.
A alta do dólar no Brasil se manteve a despeito de o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, ter afirmado no fim da manhã que as expectativas e os riscos de inflação nos EUA diminuíram nas últimas semanas, o que chegou a reduzir o ímpeto da moeda norte-americana ante outras divisas fortes, como o iene, o euro e a libra.
Durante a tarde, o dólar se manteve com ganhos firmes ante moedas emergentes como o real, a rupia indiana, o peso chileno e o peso mexicano, em meio à perspectiva de que o Fed aumente os juros no curto prazo. O real foi a moeda global mais pressionada.
"O exterior é responsável hoje por quase toda a alta do dólar ante o real. Os juros (nos EUA) tendem a subir em algum momento este ano, e isso está atuando para a alta das cotações", comentou no início da tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Após marcar a cotação mínima de R$5,1664 (+0,07%) às 9h01, logo após a abertura, o dólar atingiu a máxima de R$5,2187 (+1,09%) às 12h21.
Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que, além do exterior, o cenário político também influenciou as cotações, ainda que com menor intensidade.
Mais cedo, a pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio, segundo a sondagem. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A candidatura de Flávio também seguia pressionada nesta quarta-feira após notícia de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher em função de desavenças com o senador.
De modo geral, Lula ainda gera desconfiança em boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias desfavoráveis a Flávio costumam ser um suporte para o dólar ante o real.
Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$7,168 bilhões em junho até dia 26.
Pela manhã, indicador da ADP revelou a criação de 98 mil postos de trabalho no setor privado dos EUA em junho, abaixo dos 118 mil esperados. Na quinta-feira, será divulgado o relatório payroll sobre o mercado de trabalho norte-americano, bastante esperado pelo mercado.
Às 17h20, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,17%, a 101,410.
(Edição de Isabel Versiani)
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