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Dólar cai 1,09% e fecha abaixo de R$ 5,00 após decisão do BC americano

Ibovespa acompanha Nova York e fecha em leve queda de 0,13%, aos 101,8 mil pontos

3 mai 2023 - 19h26
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São Paulo - O dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira, 3, em queda de 1,09%, cotado a R$ 4,9919, em dia marcado por uma onda de enfraquecimento da moeda americana no exterior tanto em relação a divisas fortes quanto emergentes. Em baixa desde a abertura dos negócios, o dólar renovou mínima ao longo da tarde, descendo até R$ 4,9834, à medida que investidores digeriam o comunicado da decisão de política monetária do Federal Reserve e as declarações do chairman Jerome Powell em entrevista coletiva. O Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo, recuou 0,13%, e fechou em 101,8 mil pontos.

Como esperado por ala majoritária dos investidores, o BC americano elevou sua taxa básica em 25 pontos-base, para a faixa entre 5,00% e 5,25%. No comunicado, embora tenha afirmado que permanece "atento aos riscos de inflação", o Fed diz que, em seus próximos passos, vai levar em conta os efeitos cumulativos e defasados da política monetária. Além disso, houve a supressão do trecho, presente no comunicado de março, no qual o Fed antecipava "algum aperto adicional".

"Não mais antecipamos altas de juros, mas seremos guiados por dados a vir, a cada reunião", disse Powell, ponderando que o colegiado está pronto para promover nova alta, caso necessário. O presidente do Fed, mais uma vez, tentou refrear apostas em relaxamento da política monetária ainda neste ano, ao dizer que, nas projeções do BC americano "de desaceleração gradual nos preços, cortar juros não é adequado".

Monitoramento da CME mostra que, após a decisão do Fed, as chances de manutenção da taxa básica em junho superam 80%. Investidores são quase unânimes na aposta de que os Fed Funds encerrem 2023 abaixo do nível atual. A probabilidade de os juros estarem em dezembro na faixa entre 4,25% e 4,50% subiram de 37% ontem para mais de 47% hoje à tarde.

B3 é o nome oficial da Bolsa de Valores de São Paulo
B3 é o nome oficial da Bolsa de Valores de São Paulo
Foto: FELIPE RAU/ESTADAO / Estadão

Para o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, a despeito de o Fed ainda mostrar desconforto com o mercado de trabalho apertado e a inflação relativamente alta, o comitê deu sinais de que o ciclo de aperto monetário se encerrou nesta reunião. Oliveira chama a atenção para o trecho da entrevista coletiva em que Powell afirma que os salários não são os únicos responsáveis pela inflação alta. Isso sugere, na visão do economista, que não será preciso uma desaceleração acentuada do mercado de trabalho para o Fed parar de elevar os juros.

"Fica bem claro que o Fed considera que terminou o seu trabalho. O ciclo de alta de juros acabou", afirma Oliveira, ressaltando que Powell reconheceu que as condições financeiras já estão apertadas, fato que tem levado a problemas de liquidez no sistema bancário americano. "Provavelmente não vamos ter um período extremamente longo de juros no atual patamar".

Segundo o economista-chefe do Pine, a mudança na perspectiva para o rumo dos juros nos EUA é favorável a ativos de risco e, em particular, para a moeda brasileira. "Somos um mercado que oferece taxa de juros alta e com perspectiva de política fiscal razoável", afirma.

O relator da nova proposta de arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados, Cláudio Cajado (PP-BA), disse hoje, após reunião com líderes da base do governo, que espera concluir seu relatório até o fim desta semana. Cajado afirmou seu texto deve manter ausência de punição por crime de responsabilidade em caso de não cumprimento de metas fiscais.

Bolsa de Valores

Acompanhando Nova York, o Ibovespa chegou a se firmar em discreta alta após a decisão de política monetária do Federal Reserve que, conforme esperado, elevou a taxa de juros de referência dos Estados Unidos em 25 pontos-base, para a faixa de 5,00% a 5,25% ao ano.

O Fed reiterou que irá considerar, nas próximas decisões sobre juros, o efeito cumulativo dos ajustes já efetivados na taxa de referência. E, com outras nuances de tom no comunicado, o mercado, aqui e fora, a princípio auscultou sinais de que o BC americano estaria telegrafando inclinação por uma pausa no aperto monetário. Na entrevista coletiva, contudo, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, esfriou o entusiasmo que se esboçava, e que levou o Nasdaq a subir pouco mais de 1% no melhor momento da tarde - o índice de tecnologia reúne as chamadas ações de "crescimento", mais expostas à perspectiva para os juros americanos. Ao fim, Dow Jones mostrava queda de 0,80%, S&P 500, de 0,70%, e Nasdaq, de 0,46%.

Na coletiva, azedando o humor dos investidores, Powell enfatizou que a instituição pode voltar a apertar a política monetária, caso seja necessário. Segundo ele, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) não tomou decisão, hoje, sobre eventual pausa no atual processo de elevação dos custos de crédito, o que veio como um balde de água fria para os que notaram semelhança, no comunicado desta tarde, com a linguagem que os então integrantes do Fomc utilizaram, em 2006, para concluir aumentos de juros naquele período, sem promessa de pausa explícita.

Na entrevista, Powell observou que o comitê de política monetária do Fed considera que pode estar perto ou mesmo já no fim do ciclo de elevação da taxa básica, mas evitou responder se os critérios para novo aperto nos juros, em junho, ficaram mais rígidos por conta das recentes turbulências no sistema bancário. E afirmou que cortes de juros "não serão apropriados" se as projeções atuais de desaceleração gradual dos preços se confirmarem.

Estadão
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