Dois presidentes norte-americanos: Trump causará voo de galinha, diferentemente de William McKinley
Há paralelos entre os dois, mas os horizontes com William McKinley eram de longo prazo, Donald Trump está focado no curto
O final do século 19 tem semelhanças com o atual momento nos Estados Unidos. Mudanças demográficas pelo volume de imigrantes, concentração de renda, a percepção de um Congresso improdutivo, o eleitorado dividido e incertezas sobre o impacto das novas tecnologias na economia.
Em 1896, William McKinley foi eleito 25º presidente do país e depois reeleito. Ele tinha uma mensagem unificadora, e sua campanha era denominada "prosperidade em casa e prestígio no exterior: comércio e civilização". Propunha fazer a economia global funcionar para cada americano. Tinha uma agenda pró-negócios — tarifas, vista grossa para monopólios e um sistema financeiro eficiente.
Adaptou-se à nova realidade política e transformou seu partido, a política norte-americana e a nação. Aumentou as alíquotas das tarifas de importação até cerca de 50%, com o objetivo de proteger a indústria e seus empregos da concorrência externa.
McKinley também percebia a prosperidade aumentando a influência dos Estados Unidos no resto do mundo. Adquiriu novos territórios, como Porto Rico, Guam e Filipinas, que comprou por US$ 20 milhões, e anexou o Havaí. Considerava esses novos territórios e novas rotas importantes para o crescimento norte-americano.
Durante sua presidência, fez a transição de uma república relativamente isolada para uma potência emergente. Fomentou um sentimento de orgulho de ser norte-americano e um expansionismo, propagando a superioridade das instituições e dos valores dos Estados Unidos. Apesar das ações imperialistas, manteve boas relações com parceiros internacionais.
A presidência dele é lembrada como de recuperação, crescimento e otimismo. Ele assentou as bases para que os Estados Unidos se tornassem uma potência industrial e global. Donald Trump, logo após sua posse, assinou uma ordem executiva renomeando a montanha mais alta dos Estados Unidos como Monte McKinley.
Há paralelos entre os dois presidentes: tarifas, expansão territorial, vista grossa para monopólios, agenda pró-negócios e a evocação do nacionalismo. Há também diferenças. Na virada para o século 20, não haviam cadeias produtivas, a abertura das economias era baixa, e a indústria tinha um peso maior.
A saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Acordo de Paris e a desconfiança com parceiros da OTAN afastaram Trump de amigos tradicionais. Os horizontes com McKinley eram de longo prazo, Trump está focado no curto. O que funcionou em 1897 não vai funcionar em 2025. Vai ser um voo de galinha.