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Dois presidentes norte-americanos: Trump causará voo de galinha, diferentemente de William McKinley

Há paralelos entre os dois, mas os horizontes com William McKinley eram de longo prazo, Donald Trump está focado no curto

21 jul 2025 - 22h11
(atualizado às 23h46)
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O final do século 19 tem semelhanças com o atual momento nos Estados Unidos. Mudanças demográficas pelo volume de imigrantes, concentração de renda, a percepção de um Congresso improdutivo, o eleitorado dividido e incertezas sobre o impacto das novas tecnologias na economia.

Em 1896, William McKinley foi eleito 25º presidente do país e depois reeleito. Ele tinha uma mensagem unificadora, e sua campanha era denominada "prosperidade em casa e prestígio no exterior: comércio e civilização". Propunha fazer a economia global funcionar para cada americano. Tinha uma agenda pró-negócios — tarifas, vista grossa para monopólios e um sistema financeiro eficiente.

Adaptou-se à nova realidade política e transformou seu partido, a política norte-americana e a nação. Aumentou as alíquotas das tarifas de importação até cerca de 50%, com o objetivo de proteger a indústria e seus empregos da concorrência externa.

McKinley também percebia a prosperidade aumentando a influência dos Estados Unidos no resto do mundo. Adquiriu novos territórios, como Porto Rico, Guam e Filipinas, que comprou por US$ 20 milhões, e anexou o Havaí. Considerava esses novos territórios e novas rotas importantes para o crescimento norte-americano.

Durante sua presidência, fez a transição de uma república relativamente isolada para uma potência emergente. Fomentou um sentimento de orgulho de ser norte-americano e um expansionismo, propagando a superioridade das instituições e dos valores dos Estados Unidos. Apesar das ações imperialistas, manteve boas relações com parceiros internacionais.

A presidência dele é lembrada como de recuperação, crescimento e otimismo. Ele assentou as bases para que os Estados Unidos se tornassem uma potência industrial e global. Donald Trump, logo após sua posse, assinou uma ordem executiva renomeando a montanha mais alta dos Estados Unidos como Monte McKinley.

Há paralelos entre os dois presidentes: tarifas, expansão territorial, vista grossa para monopólios, agenda pró-negócios e a evocação do nacionalismo. Há também diferenças. Na virada para o século 20, não haviam cadeias produtivas, a abertura das economias era baixa, e a indústria tinha um peso maior.

A saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Acordo de Paris e a desconfiança com parceiros da OTAN afastaram Trump de amigos tradicionais. Os horizontes com McKinley eram de longo prazo, Trump está focado no curto. O que funcionou em 1897 não vai funcionar em 2025. Vai ser um voo de galinha.

Estadão
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