Dívida bruta do governo chega a 82,9% do PIB em agosto, aponta Banco Central
Em valores nominais, dívida passou de R$ 10,9 trilhões em julho para R$ 11 trilhões no mês passado; resultado é uma das referências para avaliação da capacidade de solvência do País
A Dívida Bruta do Governo Geral subiu para 82,9% do PIB em agosto, somando R$ 11,055 trilhões, enquanto a dívida líquida alcançou 69,3%, segundo o Banco Central. No mesmo mês, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10,012 bilhões, resultado melhor que as expectativas do mercado. Já o déficit nominal foi de R$ 115,946 bilhões, fortemente pressionado pelas despesas com juros, que atingiram R$ 105,934 bilhões no período e somam R$ 1,182 trilhão nos últimos 12 meses.
BRASÍLIA - A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) aumentou de 82,6% em julho para 82,9% em agosto, informou o Banco Central nesta quarta-feira, 30. Em valores nominais, passou de R$ 10,947 trilhões para R$ 11,055 trilhões.
O pico da série foi em dezembro de 2020 (87,6%), devido às medidas fiscais do início da pandemia de covid-19. No nível mais baixo, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,5% do PIB.
A DBGG — que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o BC e as empresas estatais — é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) — que leva em conta as reservas internacionais do Brasil — aumentou de 69,1% do PIB em julho para 69,3% em agosto. Em reais, atingiu R$ 9,241 trilhões.
Déficit primário em agosto ficou abaixo das projeções
O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 10,012 bilhões em agosto, após superávit de R$ 1,361 bilhão em julho. Em agosto de 2025, o resultado foi deficitário em R$ 17,255 bilhões.
O déficit do mês passado ficou inferior a todas as expectativas na pesquisa do Projeções Broadcast, que iam de -R$ 11,0 bilhões a -R$ 18,200 bilhões, com mediana negativa de R$ 14,600 bilhões.
O resultado foi o menor déficit para o mês desde 2021, quando houve superávit de R$ 16,728 bilhões.
Em agosto de 2026, o governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS) teve déficit primário de R$ 14,687 bilhões, segundo a metodologia da autoridade monetária. Estados e municípios tiveram resultado positivo de R$ 2,688 bilhões. As empresas estatais tiveram superávit de R$ 1,987 bilhão.
Isoladamente, os Estados tiveram superávit de R$ 2,135 bilhões, e os municípios registraram superávit de R$ 553 milhões.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o setor público consolidado tem déficit primário de R$ 88,847 bilhões. O montante equivale a 0,99% do PIB.
O resultado reflete um déficit primário de R$ 97,087 bilhões nas contas do governo central, o equivalente a 1,08% do PIB, contra um superávit de R$ 16,247 bilhões nos governos regionais (0,18% do PIB). As empresas estatais têm déficit acumulado de R$ 8,007 bilhões, ou 0,09% do PIB.
Isoladamente, os Estados têm superávit de R$ 7,120 bilhões no acumulado de janeiro a agosto (0,08% do PIB), e os municípios, saldo positivo de R$ 9,127 bilhões (0,10% do PIB).
Nos 12 meses encerrados em agosto, o setor público consolidado tem déficit primário de R$ 82,077 bilhões, o equivalente a 0,62% do PIB. O saldo se tornou menos negativo na comparação com julho, quando o rombo era de 0,67% do PIB.
É o menor déficit como proporção do PIB desde fevereiro de 2026 (0,41%).
O governo central tem déficit primário de R$ 71,156 bilhões, ou 0,53% do PIB, no acumulado de 12 meses até agosto deste ano, enquanto os governos regionais tem déficit de R$ 5,334 bilhões (0,04% do PIB).
Os Estados têm déficit de R$ 13,428 bilhões (0,10% do PIB), e os municípios, saldo positivo de R$ 8,094 bilhões (0,06% do PIB). As empresas estatais têm déficit de R$ 5,587 bilhões, ou 0,04% do PIB.
Em relação ao valor nominal, o setor público consolidado teve déficit de R$ 115,946 bilhões em agosto, após um déficit de R$ 97,602 bilhões em julho. O resultado nominal representa a diferença entre receitas e despesas do setor público, contando o pagamento dos juros da dívida pública. Em agosto de 2025, o déficit nominal havia sido de R$ 91,516 bilhões.
O déficit nominal do setor público atingiu R$ 863,397 bilhões, ou 9,60% do PIB, no acumulado do ano. Em 12 meses, o déficit soma R$ 1,264 trilhão, ou 9,48% do PIB.
O governo central teve déficit nominal de R$ 117,568 bilhões no mês passado. Os governos regionais tiveram saldo positivo de R$ 124 milhões, enquanto as empresas estatais tiveram superávit nominal de R$ 1,498 bilhão.
Gastos com juros do setor público
O setor público consolidado teve resultado negativo de R$ 105,934 bilhões com juros em agosto, após uma despesa líquida de R$ 98,963 bilhões em julho.
O governo central teve despesas de R$ 102,881 bilhões na conta de juros. Os governos regionais gastaram R$ 2,564 bilhões, e as empresas estatais, R$ 489 milhões.
De janeiro a agosto, a despesa do setor público com juros atingiu R$ 774,550 bilhões, ou 8,62% do PIB. No acumulado de 12 meses, o gasto soma R$ 1,182 trilhão, ou 8,86% do PIB.
Em 2025, o resultado do setor público com juros nominais foi negativo em R$ 1,008 trilhão. Foi a primeira vez que as despesas líquidas com juros superaram a marca de R$ 1 trilhão no acumulado em 12 meses em toda a série histórica.
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