Diesel na Refinaria de Mataripe, operada pela Acelen, sobe 81,6% em março e atinge R$ 6 por litro
No mesmo período, o diesel marítimo avançou 85,4% e a gasolina, 55,5%
Após o sexto aumento no preço do diesel em março, o diesel S10 (a versão menos poluente) passou a ser vendido a R$ 6 por litro pela Acelen na Refinaria de Mataripe, na Bahia. A cotação é 81,6% acima da praticada antes da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro. No mesmo período, o diesel marítimo avançou 85,4% e a gasolina, 55,5%.
A refinaria privada, controlada pela Acelen, do fundo de investimento árabe Mubadala, já realizou seis aumentos do diesel S10 e do S500 este mês. Com isso, os combustíveis vendidos na unidade baiana estão mais caros do que no mercado internacional, contabilizando uma alta de 3% no diesel e de 9% na gasolina acima da paridade de importação (PPI), segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
Já a Petrobras elevou o preço do diesel no dia 14 em 11,6%, passando a custar em média R$ 6,35 o litro. A defasagem dos preços da empresa aumenta à medida que o petróleo dispara no mercado internacional. No fechamento de ontem, a commodity ultrapassou os US$ 105 por barril, elevando a defasagem da estatal para 63% no diesel e 46% na gasolina.
Em Mataripe, o diesel S10 passou a custar R$ 6,04 o litro em alguns mercados; o diesel marítimo, R$ 6,12 o litro, enquanto a gasolina atingiu R$ 4,02 o litro, quase o dobro do preço no final de fevereiro.
Esta semana, o governo elevou o tom sobre a venda de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), da Petrobras, pelo governo anterior, e disse que a estatal poderia recomprar a unidade, um desejo que também seria compartilhado pelo grupo Mubadala, que desde o início sentiu a dificuldade de concorrer com a estatal brasileira e luta pela venda de petróleo para refino ao mesmo preço das refinarias públicas.
Em evento na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta semana que a Petrobras iria recomprar a Rlam - primeira refinaria da história da empresa -, o que foi amenizado posteriormente pela estatal, que, em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), informou que "analisa constantemente investimentos".
A presidente da petroleira, Magda Chambriard, chegou a brincar, no ano passado, que aceitaria doações, ao se referir à retomada da Rlam.