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Desemprego até março sobe para 6,1%, mas fica no menor nível já registrado para o período

Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua, do IBGE, estava em 7,0%; no trimestre móvel até fevereiro, desocupação estava em 5,8%

30 abr 2026 - 09h21
(atualizado às 15h06)
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RIO E SÃO PAULO - A taxa de desemprego no País voltou a subir, passando de 5,8% no trimestre móvel terminado em fevereiro para 6,1% no trimestre encerrado em março, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado foi o mais elevado desde o trimestre terminado em maio passado. Porém, a taxa de desocupação ainda está no patamar mais baixo para primeiros trimestres em toda a série histórica da pesquisa. No primeiro trimestre de 2025 a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 7,0%.

"No geral, condições monetárias apertadas ainda não geraram um ponto de inflexão visível no mercado de trabalho", avaliou o diretor de macroeconomia para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório.

O mercado de trabalho segue apertado, com resiliência da criação de empregos formais o que, consequentemente, tem levado a uma alta "consistente" da renda do trabalhador, destacou o economista da XP Investimentos Rodolfo Margato.

"As estatísticas da Pnad reforçaram o cenário de mercado de trabalho apertado. A taxa de desemprego permanece significativamente abaixo de seu nível neutro (patamar que não gera pressões inflacionárias), o que não deve ser revertido no curto prazo", resumiu Margato, em nota.

Houve uma perda de 1,022 milhão de vagas no mercado de trabalho em apenas um trimestre, enquanto o número de pessoas em busca de emprego aumentou em 1,077 milhão. O nível da ocupação - porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar - diminuiu de 58,9% no quarto trimestre de 2025 para 58,2% no primeiro trimestre deste ano.

Sete das dez atividades econômicas registraram demissões no primeiro trimestre: indústria (-122 mil), agricultura (-67 mil), construção (-134 mil), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-439 mil), serviços domésticos (-148 mil), outros serviços (-18 mil) e comércio (-287 mil). Houve geração de postos de trabalho em informação, comunicação e atividades financeiras, profissionais e administrativas (74 mil), alojamento e alimentação (23 mil) e transporte (26 mil).

Por outro lado, a massa de salários em circulação na economia registrou novo patamar recorde no trimestre encerrado em março, totalizando R$ 374,819 bilhões. O rendimento médio real dos trabalhadores também subiu ao ápice da série, para R$ 3.722 no período.

"O mercado está sustentando uma massa de rendimento do trabalho significativa, bastante expressiva", disse Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE. "A renda disponível aumenta."

Houve contribuição da redução na informalidade e desligamentos em setores com rendimentos mais baixos.

"A queda na ocupação de fato ocorreu, mas não foi acentuada, e onde ela ocorreu foi naqueles trabalhadores de menor rendimento", lembrou a pesquisadora.

O rendimento médio dos trabalhadores ocupados teve uma alta real de 1,6% na comparação com o trimestre até dezembro, R$ 60 a mais. Em relação ao trimestre encerrado em março de 2025, a renda média real de todos os trabalhadores ocupados subiu 5,5%, R$ 195 a mais.

"A população hoje que está ocupada tem participação relativa menor do trabalho informal do que havia no trimestre passado", justificou Beringuy. "Pode ter participação já da questão do reajuste do salário mínimo, de ganhos reais, que vêm ocorrendo nos últimos anos. Tudo isso contribui na média do rendimento."

Para Beringuy, a taxa de desemprego aumentou por um movimento de desligamentos sazonais característico de primeiros trimestres, mas o mercado de trabalho segue robusto e resiliente.

"A taxa de desocupação aumentou pressionada por pessoas em busca de uma ocupação", disse Beringuy. "O fato de as pessoas estarem pressionando o mercado de trabalho e não estarem indo para a inatividade mostra que elas estão com perspectiva de conseguir trabalho."

A pesquisadora frisou que a taxa de desocupação ainda é consideravelmente menor do que no mesmo período do ano anterior.

"O mercado de trabalho está melhor do que no ano passado em termos dos indicadores, por exemplo, de ocupação, nível da ocupação, carteira de trabalho. O primeiro trimestre de 2026 traz contingentes que são favoráveis ao mercado de trabalho nesse início de ano", acrescentou. "A queda no nível da ocupação está no bojo do comportamento sazonal."

Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, há 1,465 milhões de empregos a mais e 987 mil desempregados a menos.

Estadão
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