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Crescimento econômico da China ganha força com boom das exportações

19 out 2026 - 07h47
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Resumo
O PIB da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre, superando as previsões graças ao boom das exportações, que devem bater recordes históricos. Contudo, analistas alertam para graves desequilíbrios estruturais: a demanda interna segue fraca, o consumo patina e o setor imobiliário continua em crise. Essa forte dependência do mercado externo intensifica atritos comerciais globais e medidas protecionistas, expondo a economia a riscos enquanto o país tenta reequilibrar sua dinâmica de crescimento.

O crescimento econômico da China se recuperou dos níveis mais ‌baixos dos últimos três anos no terceiro trimestre, à medida que as exportações em alta compensaram a cautela dos consumidores, embora analistas alertem que a crescente dependência de fatores externos esteja agravando os desequilíbrios estruturais.

O ritmo de 4,5% superou as previsões do consenso, e os analistas esperam que Pequim alcance sua meta para 2026, de 4,5% a 5,0%, sem recorrer a estímulos adicionais, impulsionado ⁠por um início de ano forte e por algumas medidas recentes de apoio fiscal e monetário, ‌ainda que modestas.

Os dados divulgados nesta segunda-feira mostraram que as vendas no varejo voltaram a ficar atrás da produção industrial, enquanto o mercado imobiliário ainda se encontrava em recessão, tendo corroído ‌significativamente a riqueza das famílias nos últimos cinco anos.

Juntamente com ‌os dados divulgados na semana passada, que mostraram uma inflação ao consumidor moderada e ⁠exportações disparando em mais de um terço, surge um quadro de uma economia cada vez mais dominante nos mercados globais, mas com dificuldades para gerar prosperidade no próprio país.

A fraca demanda interna levou a empresa de faróis de motocicleta de Zhang Chao a praticamente abandonar as vendas na China para se concentrar nos mercados de exportação, onde os pedidos dobraram este ano.

"É muito competitivo e ‌não há lucro", disse Zhang, que gerencia as operações no Sudeste Asiático para sua empresa, referindo-se à ‌China. "A barreira à entrada é ⁠um pouco menor no ⁠exterior."

A fraca demanda do consumidor intensificou as guerras de preços, forçando as empresas a cortar custos, inclusive em ⁠folhas de pagamento.

A União Europeia e a China concordaram em ‌limitar as exportações de carros híbridos ‌para o bloco, mas Bruxelas planeja novas restrições, já que dados divulgados na semana passada mostraram que os superávits comerciais de setembro com a Alemanha e a França aumentaram mais de 200% em relação ao mesmo período do ano anterior.

"Os números de crescimento deste ano ⁠destacam um desafio de reequilíbrio mais profundo no médio prazo", afirmaram analistas do ANZ em uma nota sobre os dados divulgados na segunda-feira.

"O aumento das tensões comerciais, as medidas protecionistas e os atritos geopolíticos representam riscos significativos para o crescimento futuro", disseram eles, acrescentando que "a economia está exposta a mudanças no ambiente externo em uma extensão ‌maior do que os formuladores de políticas gostariam".

O iuan se valorizava nesta segunda-feira, atingindo seu nível mais alto desde julho de 2022.

TSUNAMI DE EXPORTAÇÕES

A China está a caminho de superar o superávit ⁠comercial de US$1,2 trilhão do ano passado, apesar das crescentes tensões globais.

As exportações — que vão desde carne de frango e produtos de beleza até carros elétricos e casas pré-fabricadas — dispararam.

Algumas fabricantes que transferiram a produção para o exterior estão voltando, já que as tarifas dos EUA sobre produtos chineses estão agora mais próximas das aplicadas a concorrentes como o Vietnã.

"A manufatura de alta tecnologia, a produção de chips, os veículos movidos a energia renovável e os valores das remessas de exportação refletem uma modernização industrial competitiva que é real e está se acelerando", disse o analista da ITC Markets, Andy Ji.

"No entanto, a composição do crescimento continua profundamente desequilibrada... O crescimento é impulsionado pelas exportações e pelo Estado. A demanda interna ainda não é autossustentável, e o setor imobiliário não mostra sinais de estabilização."

A produção industrial cresceu 5,5% em setembro.

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