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Crescimento da zona do euro deve desacelerar em 2026 após conflito no Oriente Médio alimentar inflação

21 mai 2026 - 09h29
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A economia da zona do euro sofrerá ‌uma desaceleração em 2026 depois que a guerra no Oriente Médio desencadeou o segundo choque energético em menos de cinco anos, com a gravidade do impacto determinada pelo tempo de duração do conflito, informou a Comissão Europeia nesta quinta-feira.

O aumento dos preços do petróleo para mais de US$100 por barril elevará a inflação e afetará a confiança entre as ⁠empresas e as famílias, acrescentou.

"Antes do final de fevereiro de 2026, a economia da UE ‌iria continuar a expandir em um ritmo moderado, juntamente com um novo declínio na inflação, mas as perspectivas mudaram substancialmente desde o início do conflito", disse o Executivo da ‌UE em um comunicado.

A Comissão Europeia agora prevê que ‌o crescimento do Produto Interno Bruto da zona do euro diminuirá para 0,9% ⁠em 2026, de 1,3% em 2025, com um aumento de 1,2% em 2027. Em sua últimas previsões, em novembro, as expectativas eram de 1,2% e 1,4%, respectivamente.

O Executivo da UE também elevou suas previsões de inflação de 1,9% para 3,0% em 2026 e de 2,0% para 2,3% em 2027, reforçando o argumento a favor de um aumento nas taxas de ‌juros do Banco Central Europeu.

É praticamente certo que o BCE aumentará os custos dos empréstimos ‌em sua próxima reunião, em ⁠11 de junho, depois ⁠que a interrupção da rota de navegação do Estreito de Ormuz causou um aumento nos preços do ⁠petróleo e elevou a inflação na zona do ‌euro bem acima da meta ‌de 2% do banco. Os mercados financeiros esperam um ou dois movimentos adicionais nos próximos 12 meses.

O crescimento mais fraco, as taxas de juros mais altas, as medidas para aliviar o impacto dos preços da energia e o aumento dos gastos com ⁠defesa também piorarão as finanças públicas, segundo a previsão da Comissão, com déficits orçamentários da zona do euro que deverão aumentar de 2,9% em 2025 para 3,3% este ano e 3,5% em 2027.

Para França, Alemanha e Itália, os déficits do próximo ano serão maiores do que o esperado anteriormente.

A Itália também ‌deverá ultrapassar a Grécia como o país mais endividado da zona do euro em 2027, com uma dívida bruta do governo de 139,2% do PIB.

A Comissão afirmou que o ⁠principal risco para suas previsões é a duração do conflito no Oriente Médio. Os dados que embasam suas estimativas são de entre o final de abril e o início de maio e, embora haja um cessar-fogo frágil entre os EUA e o Irã, Ormuz continua efetivamente fechado.

Em vista da incerteza, o Executivo da UE disse que elaborou um cenário alternativo com base em uma interrupção mais longa, em que os preços da energia atingiriam o pico no final de 2026, como o petróleo Brent chegando a US$180 por barril, e só retornariam gradualmente aos níveis do cenário básico no final de 2027. Nesse caso, a inflação não diminuiria e a economia não se recuperaria em 2027.

O Comissário Europeu de Economia, Valdis Dombrovskis, disse que, no cenário adverso, as previsões de crescimento para este ano e para o próximo cairiam aproximadamente pela metade.

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