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Brasil é 1º país latino-americano sem nova usina a carvão, mas vive contradição, aponta relatório

Estudo mostra que, embora tenha saído da lista de países com novos projetos de termoelétricas, Brasil adotou políticas para prolongar vida útil de usinas antigas

21 mai 2026 - 09h29
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O Brasil eliminou oficialmente os projetos de novas termoelétricas a carvão mineral e se tornou o primeiro país da América Latina sem empreendimentos deste tipo em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, ampliou contratos, subsídios e garantias para manter usinas já existentes operando até 2040, aponta o relatório "Boom and Bust Coal 2026", publicado pelo Global Energy Monitor, que analisa a expansão e o declínio da geração de energia a carvão no mundo.

Em sua 11.ª edição, o documento aponta que o Brasil apresenta uma "contradição crescente" na política energética: embora tenha saído da lista de países com novos projetos a carvão em 2025, adotou simultaneamente políticas para prolongar a vida útil de usinas antigas de uma das fontes mais poluentes e caras da matriz elétrica, garantindo subsídios e contratações que somam bilhões e pesarão nas contas de luz dos consumidores brasileiros pela próxima década.

Para a entidade, a contradição ficou evidente após a realização da COP-30, no ano passado, tendo em vista que, um dia depois do encerramento da conferência sediada pelo Brasil, em 24 de novembro, o governo sancionou a Lei n.º 15.269/2025, prorrogando até 2040 a contratação obrigatória de energia gerada por usinas a carvão mineral. Isso viabilizou a extensão contratual do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, com custo anual estimado em R$ 1,8 bilhão, e da usina Candiota III, com um custo anual de R$ 859 milhões. Segundo o estudo, a extensão dos contratos pode resultar em mais de R$ 100 bilhões em subsídios até 2040.

Usinas termoelétricas são uma das fontes mais poluentes e caras da matriz elétrica
Usinas termoelétricas são uma das fontes mais poluentes e caras da matriz elétrica
Foto: Fabio Motta/Estadão / Estadão

Adicionalmente, em março deste ano, o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 contratou 1,4 gigawatt (GW) de potência nas usinas movidas a carvão importado de Itaqui, Pecém I e Pecém II, no primeiro leilão do tipo para carvão após mais de uma década.

Antes dessas decisões, o País vinha avançando em caminho contrário. Em fevereiro de 2025, o Ibama encerrou o licenciamento da usina Nova Seival, no Rio Grande do Sul, e, em novembro, foi arquivado o processo da usina Ouro Negro, em Pedras Altas (RS), considerada a última proposta ativa de nova termoelétrica a carvão da América Latina. Com isso, no início de 2026, não havia mais projetos de novas usinas a carvão em desenvolvimento em toda a América Latina e Caribe.

Para o gerente de projetos do Portal de Energia da América Latina do Global Energy Monitor, Gregor Clark, a eliminação de novas propostas de usinas representa um avanço importante, mas ele questiona as medidas recentes adotadas pelo governo, tendo em vista a abundância de recursos renováveis existentes no País, e que poderia oferecer um caminho mais seguro e sustentável. "Os impactos negativos do carvão mineral sobre o clima, a saúde e a economia são evidentes, e os custos acabam sendo repassados aos consumidores brasileiros", disse.

O levantamento publicado pela entidade também reúne alertas sobre impactos sanitários e ambientais. Estudo do Centre for Research on Energy and Clean Air (Crea) e do Instituto Arayara, com apoio da UFRGS, estima que o complexo carbonífero de Candiota pode causar até 1.300 mortes e gerar custos de saúde pública de R$ 11,7 bilhões até 2040, com efeitos potenciais chegando à Argentina, Paraguai e Uruguai. Outro estudo apresentado pela Arayara na COP-30 afirma que quase 10% do território de Santa Catarina sofre contaminação ligada à mineração de carvão, especialmente por drenagem ácida de minas.

O diretor-executivo do Instituto Arayara e fundador do Observatório do Carvão Mineral, Juliano Bueno, criticou a ausência de um plano de descomissionamento das usinas existentes e de políticas de transição justas para os trabalhadores do setor, dizendo que as decisões tomadas em 2025 e 2026 consolidam a permanência do carvão mineral no sistema elétrico brasileiro por décadas.

Avanço global

O relatório mostra ainda que, em 2025, houve redução da geração elétrica a carvão em diversos países, com uma queda global de 3,5%, mas a capacidade instalada aumentou 3,5%. China e Índia lideram a expansão, mesmo com aumento acelerado das fontes renováveis.

Na China, a capacidade cresceu 6%, enquanto a geração caiu 1,2%; na Índia, a capacidade cresceu 3,8%, enquanto a geração caiu 2,9%.

Em contrapartida, o número de países com novos projetos de carvão caiu de 38 para 32 em 2025, com a saída de Brasil, Honduras e Coreia do Sul da lista de nações com novas usinas planejadas.

Estadão
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