China suspende importações de três frigoríficos brasileiros por substância vetada
Segundo comunicado, foi identificado um hormônio sintético usado como medicamento veterinário para controlar ciclo reprodutivo de animais; frigoríficos e ministério não se manifestaram
BRASÍLIA E SÃO PAULO - A China suspendeu as importações de carne bovina e derivados de três frigoríficos brasileiros, alegando presença de resíduos de acetato de medroxiprogesterona nas cargas. As unidades suspensas são JBS S/A, de Pontes e Lacerda (MT, SIF 51), PrimaFoods, de Araguari (MG, SIF 177) e Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos S/A, nome fantasia Frialto, de Matupá (MT SIF 4490). As plantas foram desabilitadas pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC).
Procurados, JBS, PrimaFoods, Frialto e o Ministério da Agricultura não responderam até a publicação. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que a suspensao tem caráter "temporário e preventivo" (leia mais abaixo).
As desabilitações das plantas constam no sistema de registro de empresas importadoras de alimentos da China (Ciferquery SingleWindow), gerido pela GACC, responsável pelas liberações e suspensões de importadores. Segundo a publicação chinesa, consultada pelo Broadcast Agro, a suspensão está vigente desde ontem (20). As desabilitações ainda não estão integradas ao Sistema de Informações Gerenciais do SIF (SIGSIF), do Ministério da Agricultura.
A medida foi comunicada ao governo brasileiro ainda na quarta-feira, 20, pela adidância agrícola em Pequim, em ofício enviado ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura, conforme apurou o Estadão/Broadcast.
De acordo com o comunicado, o motivo da suspensão foi a detecção de uma substância proibida na China, o acetato de medroxiprogesterona, em carne bovina exportada pelas unidades. O composto é um hormônio sintético utilizado como medicamento veterinário para controlar o ciclo reprodutivo de animais. A China, entretanto, proíbe o uso da substância em animais de corte.
Ao todo, quatro frigoríficos exportadores de carne bovina à China estão com os embarques suspensos. Em abril, a China havia suspendido a importação de carne bovina e derivados do frigorífico Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda. (SIF 1206), pertencente ao grupo Frigosul (SulBeef), em Várzea Grande (MT), também alegando a presença de resíduos de acetato de medroxiprogesterona em um lote de carne bovina congelada desossada exportado pela unidade.
Associação diz que suspensão tem caráter 'temporário e preventivo'
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse, em nota, que a suspensão da China das importações de carne bovina e derivados de três frigoríficos brasileiros tem "caráter temporário e preventivo".
"A Abiec acompanha, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a suspensão temporária de três unidades frigoríficas brasileiras pelas autoridades sanitárias da China, em função da identificação de resíduos em desacordo com os requisitos sanitários chineses. A medida tem caráter temporário e preventivo, com o objetivo de permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências técnicas necessárias pelas empresas envolvidas e pelas autoridades competentes", esclareceu a Abiec na nota enviada à reportagem.
"O tema segue sendo tratado no âmbito técnico entre Brasil e China, com vistas à rápida normalização da situação", acrescentou a entidade.
A Abiec ressaltou que o Brasil possui um dos "sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente". "Com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF). As cargas apontadas pelas autoridades chinesas já estão sendo tratadas conforme os protocolos sanitários estabelecidos entre os dois países", explicou a associação.
"A Abiec reforça a confiança no sistema sanitário brasileiro e destaca que os demais estabelecimentos habilitados seguem operando normalmente, assegurando o fluxo das exportações de carne bovina brasileira ao mercado chinês", disse.
Ao todo, 63 frigoríficos brasileiros estão autorizados a exportar carne bovina para a China. O país asiático é o principal destino da proteína nacional, com embarques que somaram 1,7 milhão de toneladas, gerando US$ 8,8 bilhões no ano passado.
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