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China suspende importações de três frigoríficos brasileiros por substância vetada

Segundo comunicado, foi identificado um hormônio sintético usado como medicamento veterinário para controlar ciclo reprodutivo de animais; frigoríficos e ministério não se manifestaram

21 mai 2026 - 10h34
(atualizado às 22h06)
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BRASÍLIA E SÃO PAULO - A China suspendeu as importações de carne bovina e derivados de três frigoríficos brasileiros, alegando presença de resíduos de acetato de medroxiprogesterona nas cargas. As unidades suspensas são JBS S/A, de Pontes e Lacerda (MT, SIF 51), PrimaFoods, de Araguari (MG, SIF 177) e Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos S/A, nome fantasia Frialto, de Matupá (MT SIF 4490). As plantas foram desabilitadas pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC).

Procurados, JBS, PrimaFoods, Frialto e o Ministério da Agricultura não responderam até a publicação. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que a suspensao tem caráter "temporário e preventivo" (leia mais abaixo).

As desabilitações das plantas constam no sistema de registro de empresas importadoras de alimentos da China (Ciferquery SingleWindow), gerido pela GACC, responsável pelas liberações e suspensões de importadores. Segundo a publicação chinesa, consultada pelo Broadcast Agro, a suspensão está vigente desde ontem (20). As desabilitações ainda não estão integradas ao Sistema de Informações Gerenciais do SIF (SIGSIF), do Ministério da Agricultura.

Ao todo, quatro frigoríficos exportadores de carne bovina à China estão com os embarques suspensos
Ao todo, quatro frigoríficos exportadores de carne bovina à China estão com os embarques suspensos
Foto: Clayton de Souza/Estadão / Estadão

A medida foi comunicada ao governo brasileiro ainda na quarta-feira, 20, pela adidância agrícola em Pequim, em ofício enviado ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

De acordo com o comunicado, o motivo da suspensão foi a detecção de uma substância proibida na China, o acetato de medroxiprogesterona, em carne bovina exportada pelas unidades. O composto é um hormônio sintético utilizado como medicamento veterinário para controlar o ciclo reprodutivo de animais. A China, entretanto, proíbe o uso da substância em animais de corte.

Ao todo, quatro frigoríficos exportadores de carne bovina à China estão com os embarques suspensos. Em abril, a China havia suspendido a importação de carne bovina e derivados do frigorífico Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda. (SIF 1206), pertencente ao grupo Frigosul (SulBeef), em Várzea Grande (MT), também alegando a presença de resíduos de acetato de medroxiprogesterona em um lote de carne bovina congelada desossada exportado pela unidade.

Associação diz que suspensão tem caráter 'temporário e preventivo'

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse, em nota, que a suspensão da China das importações de carne bovina e derivados de três frigoríficos brasileiros tem "caráter temporário e preventivo".

"A Abiec acompanha, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a suspensão temporária de três unidades frigoríficas brasileiras pelas autoridades sanitárias da China, em função da identificação de resíduos em desacordo com os requisitos sanitários chineses. A medida tem caráter temporário e preventivo, com o objetivo de permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências técnicas necessárias pelas empresas envolvidas e pelas autoridades competentes", esclareceu a Abiec na nota enviada à reportagem.

"O tema segue sendo tratado no âmbito técnico entre Brasil e China, com vistas à rápida normalização da situação", acrescentou a entidade.

A Abiec ressaltou que o Brasil possui um dos "sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente". "Com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF). As cargas apontadas pelas autoridades chinesas já estão sendo tratadas conforme os protocolos sanitários estabelecidos entre os dois países", explicou a associação.

"A Abiec reforça a confiança no sistema sanitário brasileiro e destaca que os demais estabelecimentos habilitados seguem operando normalmente, assegurando o fluxo das exportações de carne bovina brasileira ao mercado chinês", disse.

Ao todo, 63 frigoríficos brasileiros estão autorizados a exportar carne bovina para a China. O país asiático é o principal destino da proteína nacional, com embarques que somaram 1,7 milhão de toneladas, gerando US$ 8,8 bilhões no ano passado.

Estadão
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