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Copom reduz juros após quase 2 anos e corta Selic em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano

BC havia cortado a Selic pela última vez em maio de 2024

18 mar 2026 - 18h44
(atualizado às 19h11)
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BRASÍLIA - Após quase dois anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 18, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual - de 15% para 14,75%, ao ano. A decisão do colegiado foi unânime.

A autoridade monetária havia cortado a Selic pela última vez em maio de 2024, quando diminuiu a taxa de 10,75% para 10,50% ao ano. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã e da disparada dos preços do petróleo.

Em comunicado, o Copom afirmou que os passos futuros do processo de calibração da Selic poderão incorporar novas informações relacionadas à profundidade e à extensão do conflito no Oriente Médio e seu impacto nos preços. Assim, o colegiado não sinalizou os passos da próxima reunião.

"O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", diz o texto.

O BC cortou a Selic pela última vez em maio de 2024, quando diminuiu a taxa de 10,75% para 10,50% ao ano
O BC cortou a Selic pela última vez em maio de 2024, quando diminuiu a taxa de 10,75% para 10,50% ao ano
Foto: Andre Dusek/Estadão / Estadão

O colegiado afirmou que a decisão de reduzir os juros em 0,25 ponto porcentual é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.

Na reunião anterior, de janeiro, o Copom já havia indicado que começaria a diminuir os juros neste encontro. No mercado, havia dúvidas sobre a magnitude do primeiro corte, por causa da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Mas, nos últimos dias, cresceram as apostas no mercado financeiro de uma redução menor, de 0,25 ponto.

Antes do corte realizado nesta quarta-feira, a Selic estava em 15% ao ano desde junho de 2025. O período de estabilidade ocorreu depois de o BC aumentar a taxa em 4,50 pontos a partir de setembro de 2024.

Esse foi o segundo maior ciclo de alta dos juros nos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.

Mais cedo, diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã, o Federal Reserve (Fed), o BC dos EUA, manteve a taxa dejuros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A manutenção era amplamente esperada por analistas, com as incertezas trazidas pela guerra no Oriente Médio. O presidente do Fed, Jerome Powell, recolocou no radar o risco de aumento das taxas de juro.

Juros reais

Com a redução da Selic para 14,75%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, de 9,51%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. O País está atrás apenas da Turquia, com 10,38%. A Rússia aparece em terceiro lugar, com 9,41%, seguida pela Argentina, também com 9,41%, e o México (5,39%).

O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil - que não estimula, nem deprime a economia - é de 5,0%.

Oriente Médio no radar

O Copom afirmou que há evidências de que a manutenção da taxa Selic em um nível contracionista levou a uma desaceleração da atividade econômica no País. Isso permitiu ao colegiado diminuir a taxa básica de juros, de 15% para 14,75% ao ano, apesar das incertezas causadas pelos conflitos no Oriente Médio.

Segundo o comitê, essas evidências de transmissão da política monetária para o ritmo da atividade econômica criam condições para "ajustes no ritmo da calibração dos juros", à medida que novas informações surgirem. O objetivo, de acordo com a autoridade monetária, é assegurar uma Selic compatível com a convergência da inflação à meta.

"O comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta", diz o comunicado.

O Copom informou que considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma "prospectiva", de olho principalmente nos seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e nos preços das commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no País. O colegiado reconheceu que a incerteza cresceu por causa do cenário internacional.

"Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados", diz o comunicado.

Cenário interno

O Comitê afirmou que os indicadores domésticos continuam mostrando desaceleração da atividade econômica doméstica, conforme esperado. No entanto, as expectativas de inflação permanecem desancoradas, enquanto o mercado de trabalho está pressionado.

"Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho", diz o comunicado.

O comitê reforçou que continua acompanhando os impactos de desenvolvimentos da política fiscal sobre a política monetária e os ativos financeiros - e, com isso, "reforçando a postura de cautela em um cenário de maior incerteza." O ambiente externo, por sua vez, se tornou "mais incerto", por causa dos conflitos políticos no Oriente Médio.

"Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação", acrescentou o Copom.

Estadão
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