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Copom deve manter taxa Selic em 15%, sem sinalização explícita de corte de juros em março

Decisão e os novos recados da autoridade monetária serão divulgados nesta quarta-feira, 28

28 jan 2026 - 04h58
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Resumo
O Copom deve manter a taxa Selic em 15% nesta quarta-feira, 28, sem sinalizar explicitamente cortes em março, refletindo cautela diante da inflação e do cenário fiscal.
Diretores do Banco Central destacaram que o ambiente se tornou muito incerto desde o anúncio de uma série de tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump
Diretores do Banco Central destacaram que o ambiente se tornou muito incerto desde o anúncio de uma série de tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne pela primeira vez no ano para definir os rumos da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. A expectativa da maioria do mercado financeiro é que ao final desta quarta-feira, 28, o juro será mantido em 15% ao ano. As dúvidas, no entanto, são quando o BC começará a reduzir essa taxa.

Embora exista uma divisão, com alguns analistas e instituições financeiras acreditando que o início do corte virá ainda neste primeiro trimestre, para uma boa parte do mercado o comunicado deve vir menos duro, mas sem uma sinalização explícita de corte de juros já na próxima reunião de março, reforçando o cenário de cautela. 

“Não há espaço para sinalizar cortes agora. A inflação segue pressionada em núcleos e serviços, e o cenário fiscal ainda exige cautela. O que o mercado deve esperar não é a decisão em si, mas o tom. Se o BC reforçar  dependência total dos dados e preocupação com expectativas desancoradas, a leitura será de juros altos por um período prolongado”, avalia o economista André Matos, CEO da MA7 Negócios.

Analistas do Banco Itaú acreditam que o início do ciclo de flexibilização está próximo, podendo ser em março. “Buscando manter suas opções em aberto, o Copom deve fazer pequenas alterações em sua comunicação”, dizem analistas ao enfatizar, que uma delas, é remover “o lembrete de que pode retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado, abrindo caminho para a opção de corte em março”.

Os economistas da XP também projetam que o ciclo de cortes se inicie ainda neste primeiro trimestre, com a taxa básica de juros chegando a 12,50% ao final de 2026. O Boletim Focus desta semana, relatório do BC que resume as projeções do mercado para a economia, projetou o início do afrouxamento monetário para março, com um corte de 0,50 ponto percentual (p.p).

Como a taxa Selic afeta o consumo?

A taxa definida pelo Banco Central afeta a maioria das taxas de juros da economia, já que todos os bancos precisam negociar títulos diariamente no Selic para manter seus negócios - incluindo a concessão de empréstimos para seus clientes, que, geralmente, têm sempre juros acima da taxa básica. 

Juros mais baixos reduzem o preço das parcelas mensais das compras a prazo e, portanto, incentivam o consumo das famílias. Também incentivam os investimentos das empresas, pois o custo mensal de um empréstimo para ampliar os negócios diminui.

Ao investir para expandir, eventualmente, as empresas contratam mais trabalhadores. Mais gente trabalhando reforça a renda das famílias, aumentando sua capacidade de consumir. 

Juros mais elevados atuam na forma inversa - aumentam o preço das compras a prazo, desestimulam os investimentos das empresas e geram menos empregos, ou até levam ao fechamento de vagas, esfriando a demanda. 

Quando a oferta é maior do que a demanda, os preços tendem a cair ou a subir menos; quando é menor do que a demanda, os preços tendem a subir mais. Por isso, o aquecimento da demanda tende a gerar mais inflação, enquanto seu esfriamento tende a moderar a subida de preços.

Fonte: Portal Terra
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