Copa do Mundo 2026: de impulso econômico a torneio agora sofre com 'muitos obstáculos'
FIFA havia previsto 6,5 milhões de torcedores e impacto total de US$ 30,5 bilhões apenas nos EUA; esta expectativa, porém, está ameaçada
Quando a FIFA concedeu a Copa do Mundo de 2026 à América do Norte, a proposta era irresistível.
Os Estados Unidos estavam prontos para se beneficiar de sua ampla oferta de megaestádios de futebol americano já existentes, que poderiam ser adaptados para o futebol, de uma base doméstica de fãs em crescimento e de um novo formato que expandiu o torneio de 32 para 48 seleções. Essa combinação tinha como objetivo torná-la a maior e mais lucrativa Copa do Mundo da história da entidade máxima do futebol mundial.
Um estudo da FIFA e da Organização Mundial do Comércio (OMC), publicado no ano passado, previu que o evento de 39 dias atrairia 6,5 milhões de torcedores e geraria um impacto econômico total de US$ 30,5 bilhões apenas nos EUA, com US$ 11,1 bilhões em gastos. Há um ano, a perspectiva para o turismo também parecia "promissora", segundo o relatório.
"O influxo de visitantes provavelmente gerará bilhões de dólares em atividade econômica, beneficiando os setores de hospitalidade, transporte e varejo. Os hotéis das cidades-sede preveem ocupação recorde, e os negócios locais se beneficiarão do aumento no fluxo de visitantes", dizia o relatório.
Alta dos combustíveis pode limitar viagens para os jogos
Mas, com o torneio a pouco mais de dois meses de distância, choques geopolíticos e obstáculos relacionados à imigração nos Estados Unidos ameaçam desestimular visitantes internacionais e possivelmente reduzir as ambições inicialmente otimistas da Copa do Mundo.
"Você está vendo uma série de ventos contrários surgindo em um evento que muitos acreditavam que seria consagrador e extremamente bem-sucedido", disse Mark Conrad, professor de direito e ética na escola de negócios da Universidade Fordham e diretor de sua área de negócios esportivos.
A presença de público agora está em risco, disse ele à Fortune. Mais de um mês após os EUA atacarem o Irã, os preços do petróleo Brent se mantiveram acima do limite psicológico de US$ 100 por barril por pouco mais de uma semana e estavam em US$ 109 por barril na tarde de sexta-feira, 3. Com o Irã bloqueando o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o petróleo mundial, os Estados Unidos e outros países começaram a entrar em alerta.
Em Boston, por exemplo, a taxa de ocupação para esse tipo de hospedagem durante a fase de grupos em junho já está em 47%, contra 26% no mesmo período do ano passado. Alguns proprietários de imóveis próximos aos estádios aumentaram seus preços em mais de 100% em antecipação à Copa. A Airbnb também ofereceu até US$ 750 como incentivo para novos anfitriões.
O aumento nas reservas pode não se limitar às cidades-sede, mas também se estender a regiões próximas. Segundo Lane, na região de Buffalo-Niagara Falls — a cerca de uma hora de voo de Nova Jersey, onde jogos serão disputados no MetLife Stadium — a demanda total para junho subiu cerca de 30% em relação ao ano anterior, um crescimento incomum que pode estar ligado ao planejamento de viagens por torcedores da Copa.
"Não parece ser um aumento de demanda apenas nessas cidades [sede]", disse Lane. "Parece que isso vai impulsionar reservas mais fortes neste verão como um todo."
Ainda assim, há indícios de que os hotéis não estão vendo o aumento esperado. O The City relatou no mês passado que as reservas em hotéis de Nova York para o período da Copa estavam 2% abaixo do mesmo período do ano anterior, quando não havia grandes eventos programados. O controlador financeiro da cidade de Nova York também estimou que, mesmo que o evento alcance a expectativa de gerar US$ 3 bilhões em atividade econômica e atrair 1,2 milhão de visitantes, a cidade pode ter prejuízo devido a custos como policiamento.
"As reservas têm sido mais fracas do que o esperado", disse Sarah Bratko, vice-presidente e consultora jurídica da American Hotels & Lodging Association.
Embora os visitantes internacionais possam não comparecer em massa como se esperava inicialmente, o turismo doméstico pode compensar parte dessa lacuna, e o evento ainda tem potencial para ser bem-sucedido, afirmou Conrad. "Não acho que será um desastre completo de forma alguma", disse ele. Mas, para os turistas, "não vai ser tão fácil por vários motivos".
* Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA. A reportagem foi publicada originalmente na Fortune.com.