Conselho da Uber é processado nos EUA por supostas falhas de supervisão em casos de abuso e assédio
O conselho de administração da Uber Technologies foi processado nesta segunda-feira por acionistas que acusam a administração e seus diretores de permitirem que a empresa de transporte negligenciasse normas de conformidade, o que resultou em milhares de ações judiciais movidas por vítimas de agressão sexual e assédio.
Em uma ação movida no tribunal federal de San Francisco, nos Estados Unidos, acionistas liderados por um fundo de pensão de Detroit afirmaram que os membros do conselho ignoraram repetidos alertas internos e externos sobre a suposta falha da Uber em lidar com casos de abuso sexual cometidos por motoristas.
Os acionistas afirmaram que falhas de supervisão também foram um fator nas ações judiciais movidas no ano passado pelo governo federal, que acusou a Uber de se recusar rotineiramente a atender passageiros com deficiência, incluindo pessoas com animais de assistência ou cadeiras de rodas dobráveis. A empresa também foi acusada de se envolver em práticas enganosas de cobrança e cancelamento.
"A Uber é uma infratora reincidente em matéria de conformidade", cuja reputação foi "irremediavelmente prejudicada" pela cobertura negativa da mídia, afirma a ação.
A empresa sediada em San Francisco não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. Os advogados dos acionistas, liderados pelo Sistema de Aposentadoria da Polícia e dos Bombeiros da Cidade de Detroit, também não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
A chamada ação derivativa, movida nesta segunda-feira, visa obrigar os diretores a indenizar a Uber por suas supostas violações dos deveres fiduciários e da legislação federal de valores mobiliários.
O presidente-executivo Dara Khosrowshahi está entre os réus.
Os acionistas afirmaram que, em quase nove anos como presidente-executivo, ele tem sido "menos ousado ao forçar os limites regulatórios" do que seu antecessor, mas continuou a economizar no cumprimento das normas.
Até 1º de junho, a Uber enfrentava 3.571 ações judiciais em litígios supervisionados pelo tribunal de San Francisco, acusando motoristas de conduta sexual imprópria.
Os acionistas afirmaram que o conselho da Uber foi informado repetidamente de que menos de 40% dos usuários acreditam que a empresa leva a segurança a sério.
No início deste mês, a Uber e sua rival Lyft entraram com uma ação contra a cidade de Nova York para bloquear uma nova lei que, segundo elas, as impediria de se livrar de motoristas inadequados que ameaçam a segurança dos passageiros.
O preço das ações da Uber caiu mais de 25% desde que atingiu seu pico, em 22 de setembro.
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