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Citi volta a cortar previsão de alta do PIB do Brasil em 2019; vê 30% de chance de queda do juro

2 mai 2019
13h41
atualizado às 14h02
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O Citi Brasil rebaixou mais uma vez sua estimativa para o crescimento da economia brasileira neste ano diante da decepção com os dados do primeiro trimestre, e atribui 30 por cento de probabilidade a um cenário alternativo no qual o Banco Central começará a cortar juros no segundo semestre.

Unidade do Citi no Rio de Janeiro 
06/09/2017
REUTERS/Sergio Moraes
Unidade do Citi no Rio de Janeiro 06/09/2017 REUTERS/Sergio Moraes
Foto: Reuters

O Citi espera agora que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil aumente 1,4 por cento em 2019, contra elevação de 1,8 por cento da previsão de abril, já abaixo dos 2,2 por cento estimados anteriormente.

O banco privado diz que as duas quedas do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em janeiro e fevereiro aumentaram "significativamente" os riscos de uma contração do PIB no primeiro trimestre. Mas o cenário-base ainda é de expansão "tépida" do PIB, de apenas 0,1 por cento sobre os últimos três meses de 2018.

"Para 2020, estamos mantendo nossa estimativa de 2,0 por cento de alta do PIB (aquém do consenso), mas os riscos para baixo estão aumentando", disse em nota nesta quinta-feira o economista-chefe do Citi no Brasil, Leonardo Porto.

O crescimento mais fraco implica aumento nas estimativas para a taxa de desemprego. Porto vê taxas médias de desocupação em 11,5 por cento em 2019 (11,4 por cento antes) e de 10,1 por cento em 2020 (10,0 por cento antes).

Mesmo com cenário de economia mais fraca e desemprego mais elevado, o Citi manteve o prognóstico de alta do IPCA em 3,8 por cento neste ano (abaixo do centro da meta, de 4,25 por cento). A explicação passa por choques de oferta de curto prazo e pela volatilidade cambial maior que a esperada.

O Citi prevê dólar a 3,76 reais ao fim de 2019 e de 3,67 reais ao término de 2020.

Crescimento mais fraco e inflação abaixo do meta, contudo, não são suficientes para respaldar mais estímulo monetário neste momento, devido à "maior" incerteza política. Quatro fatores restringem a retomada de queda de juros pelo Copom, na visão do Citi: atual comunicação, um novo colegiado tentando estabelecer credibilidade, espaço "relativamente limitado" para queda da Selic e "elevada" incerteza sobre o eventual impacto fiscal de uma reforma da Previdência.

Porém, o Citi não descarta chances de corte do juros e vê 30 por cento de chance desse cenário, mas ainda tem como estimativa oficial Selic estável até pelo menos o quarto trimestre de 2020.

PREVIDÊNCIA

O Citi projeta que a Câmara dos Deputados aprovará a reforma da Previdência no terceiro trimestre, enquanto o Senado dará aval ao texto nos últimos três meses do ano. O custo, porém, será uma reforma diluída, com economia em dez anos de pelo menos 500 bilhões de reais, ante proposta do governo de 1,2 trilhão de reais.

Sondagens informais feitas pelo Citi com clientes indicam que o mercado começou a precificar maior probabilidade de uma economia na faixa entre 500 bilhões e 750 bilhões de reais, com viés de baixa.

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