Chinesa Envision Energy estuda fábrica no Brasil para baterias e turbinas eólicas
A chinesa Envision Energy estuda abrir uma fábrica no Brasil para produzir baterias e turbinas eólicas, condicionando o aporte a incentivos fiscais do governo. Em expansão no país após fechar contrato com a Casa dos Ventos em meio à crise da indústria eólica local, a empresa busca atender ao futuro leilão de armazenamento de energia (BESS), que exigirá conteúdo nacional. O movimento reflete a ofensiva de fabricantes chinesas no mercado verde brasileiro, setor que atrai rivais como BYD e CATL.
A chinesa Envision Energy está avaliando a possibilidade de instalar uma fábrica no Brasil para produzir baterias e turbinas eólicas, dois negócios de seu portfólio de soluções para o setor de energia que estão no foco dos planos de crescimento para o país, disse um executivo da companhia à Reuters.
A decisão de um eventual investimento para fabricação local dependeria de uma demonstração de "interesse" do governo brasileiro, segundo Marcello Trombelli, diretor de soluções e de relações institucionais e governamentais da Envision no Brasil.
"Nós estamos em constante contato com os governos, estaduais e federal, no intuito de demonstrar as soluções que nossas tecnologias podem trazer para o sistema elétrico brasileiro. Já seria possível termos nossas fábricas aqui, mas também é preciso que demonstrem interesse", afirmou ele à Reuters, à margem do evento Brazil Windpower, na terça-feira.
Questionado sobre o que seria esse "interesse", o executivo mencionou medidas como incentivos fiscais e ex-tarifários, que ajudariam a empresa a trazer gradualmente sua produção de tecnologias consideradas inéditas para o mercado brasileiro.
Uma das maiores fornecedoras mundiais de soluções de tecnologia "verde", a Envision ainda é relativamente nova no Brasil. No ano passado, anunciou suas primeiras intenções para o país, incluindo uma planta de combustível sustentável de aviação (SAF), após uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes do governo à China.
Em janeiro deste ano, a Envision divulgou seu primeiro grande negócio local, um acordo com a geradora renovável Casa dos Ventos para o fornecimento de 630 megawatts (MW) de turbinas eólicas e outros serviços.
O contrato com a Casa dos Ventos, que será atendido com máquinas importadas, ganhou projeção por ser um dos únicos anunciados em meio a uma crise prolongada da indústria eólica doméstica, enquanto o segmento ainda luta por uma retomada a partir de 2027.
Multinacionais como GE e Siemens paralisaram suas atividades no país nos últimos anos, devido à falta de encomendas para novos parques. Ao mesmo tempo, outras fabricantes desembarcaram no Brasil, vindas especialmente da China, como Goldwind, Sinoma e Windey.
Além de aerogeradores, a Envision Energy também está interessada no segmento de baterias e já tem ofertado seus produtos a empresas que pretendem participar do primeiro leilão do Brasil para contratar essa tecnologia para o sistema elétrico.
"Estamos seguindo a cartilha definida para o BESS (sistema de bateria), ou seja, é esperado que para participar do leilão de BESS tenha-se conteúdo nacional, estamos nessa estratégia, trabalhando para isso, com parcerias locais", explicou Trombelli.
Algumas fabricantes chinesas de sistemas de armazenamento de energia, como Jinko ESS e CATL, já fecharam parcerias com empresas brasileiras do segmento para nacionalizar projetos e garantir uma participação maior no leilão inédito para a tecnologia, marcado para dezembro. Já a BYD anunciou um investimento de até R$500 milhões para produção de BESS no Brasil.
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