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Cessar-fogo não deve trazer alívio imediato para setor aéreo e custo de passagens, diz entidade

Para Willie Walsh, da Iata, levará meses para que oferta de querosene de aviação volte ao normal, devido aos danos à capacidade de refino no Oriente Médio

8 abr 2026 - 10h56
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O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Willie Walsh, afirmou que o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã não deve trazer alívio imediato para o setor aéreo, especialmente no custo das passagens, diante das perturbações recentes no mercado de combustíveis.

Durante evento em Singapura, Walsh disse que, mesmo com a eventual reabertura do Estreito de Ormuz, levará "meses" para que a oferta de querosene de aviação volte ao normal, em razão dos danos à capacidade de refino no Oriente Médio.

Segundo ele, a alta recente do petróleo já pressiona as companhias aéreas e tende a ser repassada aos consumidores. "Há uma correlação quase direta entre o preço do petróleo e o valor das passagens", afirmou, acrescentando que o aumento das tarifas é "inevitável" diante do peso do combustível na estrutura de custos do setor.

Walsh ponderou que a indústria já enfrentou choques semelhantes e deve conseguir se ajustar, inclusive com redução de capacidade e gestão de preços. Ainda assim, ressaltou que o impacto de curto prazo depende da velocidade de normalização da oferta de combustíveis refinados, não apenas do petróleo bruto.

Apesar da reação inicial positiva dos mercados ao cessar-fogo, o executivo indicou que o setor aéreo continuará enfrentando pressões nos próximos meses.

Tarifas aéreas

O diretor-geral da Iata avaliou que o choque recente no mercado de energia expôs fragilidades estruturais na oferta de combustíveis para aviação, especialmente pela ausência de estoques estratégicos de querosene.

O executivo chamou atenção para o fato de que, ao contrário do petróleo bruto, países não mantêm reservas relevantes de combustível refinado. "Temos estoques estratégicos de petróleo, mas não de querosene de aviação", afirmou, destacando que a segurança energética do setor depende cada vez mais da capacidade de refino.

Walsh também ressaltou que o impacto vai além da aviação, já que o querosene representa apenas uma parcela da produção das refinarias. "Não é só o combustível de aviação. Os outros 90% dos produtos refinados também são afetados", disse.

Segundo o diretor, o setor ainda enfrenta um descompasso no curto prazo, já que muitas passagens foram vendidas antes da alta recente dos custos, o que limita a capacidade de repasse imediato. Nesse cenário, o ajuste tende a ocorrer de forma gradual, à medida que novas tarifas incorporam o aumento das despesas.

O diretor acrescentou que a concentração da capacidade de refino em algumas regiões ampliou a vulnerabilidade global a choques de oferta e defendeu que governos reavaliem políticas energéticas. Para Walsh, a crise deve servir de alerta para decisões mais orientadas por dados, com foco não apenas no petróleo, mas também na disponibilidade de derivados essenciais.

Estadão
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