Banco Mundial reduz previsão de crescimento do Oriente Médio para 2026 após turbulência no setor de energia
DUBAI, 8 Abr - O Banco Mundial reduziu sua previsão de crescimento em 2026 para as economias do Oriente Médio como consequência da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, e alertou sobre os riscos generalizados em um relatório publicado nesta quarta-feira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na noite de terça-feira um cessar-fogo de duas semanas no conflito, agora em sua sexta semana, sujeito ao acordo pelo Irã de interromper o bloqueio do fornecimento de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores do Irã disse que Teerã interromperá os contra-ataques e fornecerá uma passagem segura pela hidrovia.
O fechamento do estreito estratégico e a destruição da infraestrutura de energia e pública perturbaram os mercados, aumentaram a volatilidade financeira e enfraqueceram as perspectivas de crescimento para 2026, afirmou o Banco Mundial em sua Atualização Econômica para o Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão.
"Os riscos estão firmemente inclinados para o lado negativo. A incerteza é generalizada, e a perspectiva econômica pode mudar significativamente se o conflito se intensificar ou se prolongar", disse o relatório.
O crescimento geral do PIB na região, excluindo o Irã, deve diminuir de 4% estimados em 2025 para 1,8% em 2026, o que representa 2,4 pontos percentuais abaixo das projeções de janeiro.
A expansão dos produtores de petróleo e gás do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico e do Iraque, que estão entre os mais afetados pelo impacto do conflito, deve sofrer uma desaceleração ainda mais acentuada.
O Banco Mundial rebaixou sua previsão para o conselho, que inclui a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, para 1,3% em 2026, uma queda de 3,1 pontos percentuais em relação à projeção de janeiro, impulsionada principalmente pela redução das receitas projetadas de hidrocarbonetos devido às interrupções causadas pelo conflito.
Dentro do grupo, o crescimento no Kuweit e no Catar - que são menos diversificados economicamente e onde as interrupções relacionadas à energia são mais graves - deverá contrair este ano 6,4% e 5,7%, respectivamente.
"A crise atual é um forte lembrete do trabalho que a região tem pela frente: não apenas resistir aos choques, mas reconstruir economias mais resilientes com fundamentos macroeconômicos mais fortes, inovar e melhorar a governança, investir em infraestrutura e impulsionar os setores geradores de emprego", disse Ousmane Dione, vice-presidente do Banco Mundial para a região, em um comunicado.
Devido à "incerteza excepcionalmente alta", o Banco Mundial disse que não está publicando previsões além do ano fiscal de 2025/26 para o Irã. Segundo ele, a estimativa é de que o PIB real contraia em 2,7% no ano fiscal de 2025/26, até 20 de março de 2026.