Falta de estoques de querosene expõe fragilidade e atrasa repasse às tarifas de aéreas, diz Iata
Diretor-geral da associação, Willie Walsh, acrescentou que a concentração da capacidade de refino em algumas regiões ampliou a vulnerabilidade global a choques de oferta e defendeu que governos reavaliem políticas energéticas
O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Willie Walsh, avaliou que o choque recente no mercado de energia expôs fragilidades estruturais na oferta de combustíveis para aviação, especialmente pela ausência de estoques estratégicos de querosene.
Em evento em Singapura, o executivo chamou atenção para o fato de que, ao contrário do petróleo bruto, países não mantêm reservas relevantes de combustível refinado. "Temos estoques estratégicos de petróleo, mas não de querosene de aviação", afirmou, destacando que a segurança energética do setor depende cada vez mais da capacidade de refino.
Walsh também ressaltou que o impacto vai além da aviação, já que o querosene representa apenas uma parcela da produção das refinarias. "Não é só o combustível de aviação. Os outros 90% dos produtos refinados também são afetados", disse.
Segundo o diretor, o setor ainda enfrenta um descompasso no curto prazo, já que muitas passagens foram vendidas antes da alta recente dos custos, o que limita a capacidade de repasse imediato. Nesse cenário, o ajuste tende a ocorrer de forma gradual, à medida que novas tarifas incorporam o aumento das despesas.
Conforme Walsh, levará meses para que oferta de querosene de aviação volte ao normal, devido aos danos à capacidade de refino no Oriente Médio.
O diretor acrescentou que a concentração da capacidade de refino em algumas regiões ampliou a vulnerabilidade global a choques de oferta e defendeu que governos reavaliem políticas energéticas. Para Walsh, a crise deve servir de alerta para decisões mais orientadas por dados, com foco não apenas no petróleo, mas também na disponibilidade de derivados essenciais.