Galípolo defende sigilo de 8 anos em liquidação do Banco Master
Presidente do BC afirma que medida segue norma e evita questionamentos judiciais
Ao ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado na manhã desta quarta-feira, 8, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu a manutenção do sigilo de oito anos sobre documentos da liquidação do Banco Master.
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Segundo ele, a medida foi adotada com base em normas vigentes e tem como objetivo evitar questionamentos judiciais futuros, além de preservar a estabilidade financeira e institucional. Galípolo afirmou que o prazo de sigilo segue uma regra estabelecida em 2018, que determina períodos de confidencialidade distintos conforme o porte das instituições financeiras.
"Antes, para todos os bancos era de dez anos. Agora, para bancos maiores são dez anos e para os menores, oito", começou. "Se você entende que há um problema com a regra, que se debata de forma clara e republicana para que uma alteração seja feita por quem tem o poder para isso."
De acordo Galípolo, com todas as liquidações conduzidas pelo Banco Central seguem esse padrão e que eventuais mudanças devem ocorrer por meio de debate institucional, não por descumprimento das normas.
Além do atual presidente do BC, o antecessor dele na entidade, Roberto Campos Neto, seria ouvido na CPI, mas não compareceu à sessão que os questionaria sobre a atuação do BC em relação ao liquidado Banco Master e seu então dono, Daniel Vorcaro.
Galípolo e Campos Neto na CPI
Para o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a convocação de Campos Neto, que presidiu o Banco Central de 2019 a 2025, era necessária por ele ser "testemunha qualificada" para explicar os critérios de idoneidade exigidos de novos controladores de bancos, informou a Agência Senado.
Já Galípolo compareu à CPI depois de um requerimento feito pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE). O parlamentar disse ter dúvidas sobre a finalidade institucional de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Galípolo e outros agentes públicos com Vorcaro. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto, em novembro de 2024.
"A oitiva pretendida não se dirige à atividade técnica do Banco Central em si, mas à necessidade de assegurar transparência institucional e afastar quaisquer dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica indevida em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro, temas diretamente relacionados ao objeto desta CPI", diz o requerimento.
CPI do Crime Organizado
A CPI do Crime Organizado no Senado foi instalada em novembro de 2025 para investigar a atuação e expansão de facções e milícias no Brasil. Ela tem como presidente o senador Fabiano Contarato (PT-ES), como vice o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Alessandro Vieira como relator.
A poucos dias do fim dos trabalhos da CPI, Vieira pediu a prorrogação das atividades por mais dois meses. O pedido se deu para a comissão tomar mais depoimentos e analisar documentação classficada como "monumental" pelo senador, especialmente após os desdobramentos do caso Master.
Apesar do requerimento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não prorrogar a CPI, que encerrará seus trabalhos no próximo dia 14. A informação foi confirmada por Vieira nesta terça-feira, 7.
Caso Master
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso no começo de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A operação apurava os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.