CEO do Itaú: 'Plataformas usaram FGC para viabilizar modelos de negócios não sustentáveis'
Segundo Milton Maluhy, fundo surgiu para proteger investidores em caso de colapso de instituições financeira, mas seu uso foi desvirtuado ao longo dos anos
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, defendeu nesta quinta-feira, 5, que os reguladores e o setor financeiro devem implementar "mecanismos inteligentes" para recapitalizar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e evitar que um novo episódio como o da liquidação extrajudicial do Banco Master volte a acontecer.
Em entrevista à imprensa após a divulgação dos resultados do banco, Maluhy lembrou que o FGC surgiu, em meados da década de 1990, com objetivo de proteger investidores em caso de colapso de instituições financeira.
No entanto, para ele, o fundo foi desvirtuado ao longo dos anos, quando interesses próprios se sobrepuseram aos do sistema financeiro. "Algumas plataformas usaram o FGC como modelo de alavancagem do negócio, viabilizando modelos de negócio não sustentáveis", afirmou.
O banqueiro estimou que o Master representou um evento de R$ 55 bilhões para o FGC. Na visão dele, é importante transmitir ao mercado a mensagem de que o fundo é capitalizado e pode cumprir seus objetivos. Contudo, o executivo argumentou que o processo de recapitalização deve atenuar ao máximo os custos para os integrantes do setor e para a sociedade. "Muitas normas internacionais podem servir de referência", ressaltou.
Ao fim da declaração, Maluhy reforçou o recado de que o Itaú nunca distribuiu CDBs do Master "por convicção", como já havia dito em janeiro em entrevista ao Estadão/Broadcast.