Centro de São Paulo terá 'nova força' com transferência de sede do governo do Estado, diz secretário
Expectativa é de que o projeto atraia investimentos e revitalize o comércio e a habitação na região central da capital paulista
A transferência da sede administrativa do governo do Estado para o centro da cidade de São Paulo deve transformar a região, segundo avaliação do secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo, Marcelo Cardinale Branco. "Esse movimento dará ao local uma nova dinâmica, mais força e maior capacidade de estruturação de comércios e habitação", afirmou, em entrevista a Circe Bonatelli, repórter especial do Estadão/Broadcast, no Summit Imobiliário, realizado nesta segunda-feira, 30, em São Paulo, no Dia do Mercado Imobiliário Estadão.
Segundo o secretário, a medida pretende atrair novos investimentos, impulsionar o comércio e criar oportunidades de moradia para diferentes faixas da população. Branco diz que o plano habitacional inclui milhares de unidades que estão sendo construídas pelo Estado para realocar famílias que atualmente vivem nas áreas destinadas ao novo centro administrativo.
Ele destacou ainda que, com a valorização da região, novos projetos devem surgir naturalmente, atraindo mais moradores e empresas. Além da reocupação institucional da área, o plano inclui ações habitacionais e sociais.
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano já iniciaram a construção de moradias e a concessão de subsídios para famílias de baixa renda. Nos últimos dois anos, foram entregues cerca de 2 mil cartas de crédito por meio do programa CCI, voltado à população de menor poder aquisitivo.
A expectativa é de que o novo fluxo gerado pelas atividades administrativas traga entre 10 mil e 15 mil novos trabalhadores diários para o centro, estimulando a economia da região e incentivando a instalação de novos serviços.
Recuperação social
A iniciativa também prevê a recuperação social do centro, especialmente nas áreas mais críticas. Um dos focos é o tratamento de pessoas em situação de dependência química, com destaque para o trabalho realizado na região da Cracolândia. Um hub de acolhimento foi criado em parceria com a prefeitura, e já resultou na internação de mais de 1.200 pessoas.
Outro ponto é o reassentamento de moradores da favela do Moinho, localizada no centro da cidade e composta por cerca de 880 moradias precárias. Segundo o secretário, a meta é garantir alternativas dignas de habitação a essas famílias, que vivem em condições insalubres às margens dos trilhos do trem.
"O centro precisa de novos investimentos, novas moradias e novas ideias. Queremos devolver essa parte da cidade aos paulistanos", disse. Ele ressaltou que, por décadas, a população foi expulsa da região central por conta da violência, da presença do tráfico de drogas e do abandono urbano. "Queremos que o centro volte a ser um lugar bom para viver, como já foi no passado, e como é hoje em tantas metrópoles bem-sucedidas ao redor do mundo", concluiu.
O Dia do Mercado Imobiliário Estadão tem patrocínio da AW Realty Incorporadora e do QuintoAndar e apoio da CDHU.