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Brasil precisa usar a COP-30 para mostrar o que vem sendo feito no campo, diz CEO da Risotolândia

Segundo executivo, clientes se preocupam cada vez mais com a sustentabilidade, e grupo envolve diretamente o produtor em sua cadeia produtiva para garantir a qualidade

17 out 2025 - 11h21
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Com quase três quartos de século de existência, o Grupo Risotolândia, sediado no Paraná, entrega diariamente cerca de 550 mil refeições, em setores que vão da educação à indústria e saúde. E, segundo o diretor-presidente da empresa, Carlos Humberto de Souza, há uma preocupação cada vez maior dos clientes em relação ao tema da sustentabilidade nessa atividade.

"Eles querem conhecer a origem dos produtos e valorizam a economia circular. Os ultraprocessados ainda existem, mas a indústria evoluiu, com menos conservantes e produtos mais saudáveis. Em escolas, hospitais e indústrias, quanto mais próximo da produção, melhor", diz o executivo.

Em relação à COP-30, Souza se diz um otimista. "A discussão climática vem se fortalecendo ano a ano com as COPs. Hoje há mais consciência e mais adesão tanto da sociedade quanto do setor privado. O fato de a COP-30 ser na Amazônia é simbólico: o Brasil tem muito a mostrar ao mundo", afirma.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Como a sustentabilidade está presente no Grupo Risotolândia?

Ela está no centro das nossas operações. Lidamos com alimentos - dependemos da produção, transformamos em refeições prontas e temos critérios rigorosos. Já no início dos anos 2000, buscamos certificação ISO, mas não apenas pelo selo: queríamos garantir segurança alimentar e rastreabilidade. Com a entrada no mercado de alimentação escolar, surgiu a necessidade de trabalhar com agricultura familiar, apoiando produtores na recuperação do solo, em práticas mais sustentáveis e na redução de conservantes e aditivos.

E há metas de redução de carbono?

Internamente, trocamos caldeiras a GLP por gás natural e começamos a eletrificar parte da frota. Entre 2020 e 2022, conseguimos reduzir em 70% as emissões de CO2. Hoje, não nos imaginamos mais sem esse compromisso.

O que é exatamente o Grupo Risotolândia?

O Grupo Risotolândia tem uma história de 72 anos. Como o próprio nome indica, começou como um restaurante de origem italiana, no bairro Chachim, em Curitiba. Nos anos 1980, passou a atuar na área de refeições corporativas e se instalou em Araucária, onde temos nossa planta principal. Hoje, atendemos cerca de 550 mil refeições por dia. Nossos principais mercados são merendas escolares, indústrias, comércio e hospitais. Estamos entre as quatro maiores empresas do País no setor. Contamos com cerca de 4.500 colaboradores, dos quais 85% são mulheres, e temos uma trajetória de crescimento sustentável.

Vocês atendem clientes públicos e privados?

Sim. No setor público, atuamos principalmente com merenda escolar e alguma coisa ligada à alimentação de internos em presídios, no Paraná e Santa Catarina. No setor privado, atendemos indústrias, hospitais e escolas particulares nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

A empresa atua diretamente desde a base da cadeia produtiva?

Sim. Trabalhamos diretamente com produtores rurais. Com apoio do Sebrae e do programa Raízes, orientamos pequenos agricultores sobre o que plantar, quando plantar e como garantir qualidade. Concentramos a produção em uma ou duas espécies, garantindo compra e fornecimento.

Eles produzem exclusivamente para vocês?

Não. Garantimos parte da demanda, mas eles seguem comercializando com outros consumidores, evitando dependência total. São cooperativas, são famílias - normalmente, famílias onde a própria mulher é quem está à frente do negócio.

Como funciona a parte de proteínas e cardápios?

Aqui trabalhamos com frigoríficos estabelecidos e desenvolvemos produtos com nossa equipe técnica de nutricionistas e engenheiros de alimentos. Temos unidade frigorífica própria para adequar cortes e padrões de qualidade. Todo o cardápio é elaborado por nós, de acordo com necessidades específicas de cada cliente, seja indústria, escola ou hospital. Também fazemos educação alimentar, orientando sobre escolhas saudáveis e evitando desperdícios.

A logística é própria?

Sim. Temos cerca de 200 veículos próprios, permitindo a coleta e distribuição centralizada, o que facilita a vida do produtor e reduz custos. Investimos também em veículos elétricos, diminuindo emissões e impactos ambientais.

Quais são os planos de expansão do Grupo Risotolândia?

Crescemos de forma gradual. Primeiro no Sul, depois Sudeste e Centro-Oeste. Atuamos em indústrias, hospitais, escolas e comércio. O maior desafio é logístico: estradas, ferrovias e hidrovias são insuficientes em algumas regiões. Para expandir, precisamos de investimento público em infraestrutura. O abastecimento também impacta o custo final das refeições.

Os clientes demandam por mais alimentos menos ultraprocessados?

Muito. Querem conhecer a origem dos produtos e valorizam a economia circular. Os ultraprocessados ainda existem, mas a indústria evoluiu, com menos conservantes e produtos mais saudáveis. Em escolas, hospitais e indústrias, quanto mais próximo da produção, melhor. Mas é difícil eliminar totalmente os ultraprocessados; o importante é equilibrar e melhorar a qualidade.

E opções vegetarianas e veganas?

A demanda também é forte, principalmente entre crianças, mas cresce também entre adultos. Hoje oferecemos cardápios vegetarianos, veganos e dietas personalizadas para intolerâncias ou alergias.

O sr. está otimista com a capacidade de governos, empresas e sociedade enfrentarem a crise climática?

Sim, sou otimista por natureza. A discussão climática vem se fortalecendo ano a ano com as COPs. Hoje há mais consciência e mais adesão tanto da sociedade quanto do setor privado. O fato de a COP-30 ser na Amazônia é simbólico: o Brasil tem muito a mostrar ao mundo. Acredito que será um evento de grande impacto e sucesso.

Estadão
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