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Brasil não deveria aceitar que um novo Master possa acontecer, diz presidente do Santander

Mario Leão diz também acreditar que 'algumas' empresas brasileiras devem estrear na Bolsa em 2026, após uma seca de quatro anos; banco fechou 2025 com lucro de R$ 15,6 bilhões, alta de 12,6%

4 fev 2026 - 11h59
(atualizado às 12h31)
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O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, defendeu nesta quarta-feira, 4, a contínua evolução do ambiente regulatório para evitar outro evento semelhante ao colapso do Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro. "O País não deveria aceitar que um novo Master possa acontecer", afirmou, em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados do banco.

O executivo não quis antecipar discussões sobre a recomposição e os ajustes nas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mas admitiu que o processo será "desafiador". "Os bancos sentem que algo será definida nas próximas semanas ou meses", disse. O FGC precisou desembolsar mais de R$ 40 bilhões para cobrir investimentos vendidos pelo Master, principalmente CDBs. Isso significou cerca de um terço das reservas totais do fundo, que estavam em R$ 125 bilhões em novembro.

O presidente do Santander Brasil, Mario Leão
O presidente do Santander Brasil, Mario Leão
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

O Santander Brasil teve lucro líquido gerencial, que desconsidera o ágio de aquisições, de R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre de 2025, uma alta de 6% ante o registrado em igual período de 2024. Na comparação com o terceiro trimestre, houve crescimento de 1,9%. No acumulado do ano, o lucro foi de R$ 15,6 bilhões, um crescimento de 12,6% em relação a 2024.

Aberturas de capital

Mario Leão disse na entrevista acreditar que "algumas" empresas brasileiras devem estrear na Bolsa em 2026, após uma seca de quatro anos sem ofertas públicas inicias (IPOs) no País. "Minha sensação - e isto é um feeling - é de que esses IPOs na B3 virão no segundo semestre", disse.

O executivo acrescentou que 2026 começou de forma "benigna" para o mercado de capitais, principalmente no setor de equities, em meio aos IPOs de PicPay e Agibank em Nova York. Ele lembrou que o fluxo à bolsa neste início de 2026 já superou o de 2025, mas que pode ser ainda maior, por conta do fluxo de realocação global de capitais.

Para Leão, o Brasil está em boa posição para se beneficiar desse movimento, por ser uma democracia forte e ter uma economia robusta. Segundo ele, por enquanto, o fluxo aos mercados acionários não está descontando as incertezas associadas às eleições, o que demonstra uma maturidade institucional do País, na visão dele. "O Brasil tem bons fundamentos", destacou.

Na mesma linha, o vice-Presidente Executivo e de Relações com Investidores do Santander Brasil, Gustavo Alejo, projetou um mercado de capitais "mais potente" em 2026.

Risco na carteira

Em relação à concessão de crédito, Leão reiterou o plano do banco de continuar com uma abordagem seletiva na montagem da carteira. O executivo explicou que, em 2026, a instituição seguirá em processo de "de-risking", termo em inglês que descreve uma gestão de risco mais prudente.

Segundo ele, o objetivo é crescer dois dígitos em carteiras selecionadas, como alta renda e pequenas e médias empresas, enquanto reduz a participação na baixa renda. "Queremos crescer seletivamente nos segmentos que escolhemos", explicou.

O Santander Brasil não apresenta guidance, mas Leão ressaltou que almeja terminar 2026 como uma boa parte desse "de-risking" já executada. "Terminaremos 2026 em um nível de portfólio mais saudável que 2025", projetou.

Leão disse ainda que espera alcançar um "ponto de inflexão" para a inadimplência nas carteiras que enfrentam os maiores desafios. Segundo ele, há expectativa de melhora na qualidade em portfólios como médias e grandes empresas e pessoa física em alta renda, enquanto o do agronegócio permanece sob pressão.

"A dinâmica em vários portfólios será melhor em 2026 do que em 2025", projetou. Na visão do executivo, a Selic deve ficar entre 13% e 13,5% na média deste ano, ainda em dois dígitos.

A taxa de inadimplência do Santander Brasil subiu para 3,7% no quarto trimestre, pelo critério de atrasos acima de 90 dias. Segundo Gustavo Alejo, a instituição antecipou algumas perdas esperadas, o que trouxe uma melhora contábil na inadimplência.

Alejo disse ainda que o banco mantém cautela com o agronegócio, principalmente neste começo de ano. Pequenas empresas também continuam pressionadas e respondem por boa parte da piora na inadimplência corporativa, conforme o executivo. Sobre grandes empresas, ele explicou que, com a Selic em 15%, é "natural" que ocorram eventos de créditos.

Estadão
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