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Bradesco conclui aquisição de banco na Flórida de olho em cliente da alta renda

Banco brasileiro colocou oficialmente os pés nos EUA e quer unificar as operações com o BAC Florida Bank em 90 dias; valor da compra foi de R$ 2,9 bilhões, considerando o câmbio atual

30 out 2020
21h17
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O Bradesco acaba, oficialmente, de colocar os pés nos Estados Unidos, marcando um passo em sua expansão internacional com a conclusão nesta sexta-feira, 30, da compra do BAC Florida Bank. O desembolso foi de US$ 500 milhões - ou cerca de R$ 2,9 bilhões com a taxa de câmbio atual. O movimento permitirá ao banco completar as peças que faltavam no tabuleiro para, de uma única vez, ampliar o portfólio de opções de investimentos para seus clientes, que cada vez mais procuram opções de investimento fora do País.

Além disso, o banco irá expandir seu leque de produtos, ao passar a oferecer serviços bancários nos EUA, como conta corrente, cartão de crédito e financiamento bancário, algo que pode fazer a diferença em um ambiente cada vez mais competitivo. Por trás, o Bradesco conseguirá fechar uma lacuna ao incorporar o banco norte-americano e preparar terreno para crescer no segmento mais cobiçado - e disputado - no mercado, o de alta renda.

Ao comprar um banco com 10 mil clientes - 20% dos quais brasileiros -, US$ 2,3 bilhões em ativos sob gestão e um patrimônio de US$ 250 milhões, o Bradesco já trabalhou em todo o planejamento para oferecer aos clientes a nova gama de produtos e serviços que hoje estão dentro do BAC. O vice-presidente executivo do Bradesco, responsável pelo banco de atacado, Marcelo Noronha, afirma que o caminho do banco brasileiro até o BAC já está pavimentado e que agora o trabalho será fazer o trajeto oposto, para plugar o BAC ao Bradesco. Em 90 dias, segundo o executivo, os clientes do private e wealth do Bradesco terão acesso aos produtos do banco na Flórida.

"Nossos clientes poderão ter conta corrente lá fora, cartão de crédito, algo que até aqui o BAC não emitia. Nossos clientes poderão ser atendidos de lá pelo telefone ou via chat, 24 por 7, em inglês, espanhol e português. Além disso poderão ter acesso a crédito imobiliário nos Estados Unidos e pelo aplicativo fazer transferência online de moeda", conta Noronha, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

O Bradesco decidiu manter a equipe que está no BAC, hoje formada por cerca de 170 pessoas. Alguns executivos do banco serão transferidos para reforçar o time. Henrique Lima, que já comandou o braço de investimento do banco, será o co-presidente do BAC, ao lado de Julio Rojas, que já comanda o banco norte-americano.

Novas oportunidades

Tornando a área private sob o seu guarda-chuva mais atrativa, o Bradesco ganha força para capitalizar mais clientes, principalmente após o acordo recém firmado com o JP Morgan, que está deixando o private banking no Brasil, o qual inclui a transferência de clientes, que ocorrerá pela indicação do banco norte-americano. No segmento private, o Bradesco possui R$ 300 bilhões sob gestão, conforme os últimos dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), correspondente a 21% de market share.

Apesar de ter sido esse olhar que levou o Bradesco até o BAC, o banco já está atento a outras oportunidades com a aquisição. Noronha comenta que após finalizada essa primeira fase de integração, que tem o foco no cliente private e wealth, os mais endinheirados dentro da instituição financeira, o plano inclui o reforço em duas outras áreas que já existem no BAC, a corporate, que ajudará a criar uma ponte para as empresas não só do Brasil mas de toda a América Latina, e uma plataforma digital, essa voltada exclusivamente investidores americanos - algo que o Bradesco quer dar musculatura.

O BAC tem 45 anos e um foco grande em crédito imobiliário. O Bradesco anunciou a aquisição no ano passado, mas apenas no começo deste mês recebeu o último aval regulatório, o do Federal Reserve, (Fed, o banco central dos EUA).

A aquisição, informou hoje o banco, afetará o seu índice de Basileia em 0,2 ponto percentual.

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Estadão
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