Bovespa recua 2,3% e fecha na mínima em 4 meses
O principal índice da bolsa paulista fechou o primeiro pregão de outubro no menor patamar em quase quatro meses, com o quadro externo bastante negativo amplificando o mau humor do mercado financeiro doméstico com o cenário eleitoral.
O Ibovespa caiu 2,32% nesta quarta-feira, a 52.858 pontos, menor patamar desde 5 de junho, quando encerrou a 51.558 pontos.
Em dólar, o Ibovespa já devolveu os ganhos do ano e acumula perda de cerca de 2,4%. Até a véspera, ainda contabilizava alta de 1,5%. Na moeda brasileira, o Ibovespa ainda está no terreno positivo, com alta de 2,62% no ano.
O volume financeiro do pregão desta quarta-feira somou R$ 9,7 bilhões. "O pano de fundo ainda é a eleição, em particular a percepção de que a presidente Dilma Rousseff (candidata à reeleição pelo PT) está forte na disputa", disse Marco Aurélio Barbosa, analista na CM Capital Markets.
De acordo com o profissional, o mercado escolheu há meses o lado nesta eleição, e foi o da oposição, uma vez que avalia negativamente o nível de intervencionismo do atual governo na economia e a forma como Brasília se comunica com o mercado.
Na véspera, pesquisas do Ibope e do Datafolha mostraram a liderança firme de Dilma nas intenções de voto para o primeiro turno, com vantagem na segunda rodada, e redução da diferença de Marina Silva (PSB) sobre Aécio Neves (PSDB).
As ações preferenciais da Petrobras, bastante afetadas pelo noticiário eleitoral, recuaram mais de 5% e responderam pela maior pressão negativa no Ibovespa, assim como bancos como Itaú e Bradesco.
"Mas hoje o exterior também pesou bem na bolsa. Os yields dos Treasuries caíram com força após dados fracos nos EUA, o que acaba afetando o S&P 500 e, por tabela, a Bovespa", destacou Eduardo Roche, gestor na Canepa Asset Management.
Ele também chamou a atenção para a queda das ações do setor de aviação nos Estados Unidos após a confirmação, na véspera, do primeiro caso de Ebola naquele país.
A quarta-feira ainda foi marcada pela forte valorização do dólar sobre o real, o que respingou na bolsa local, afetando negativamente papéis Gol e beneficiando outros, como Braskem, Fibria, Suzano e Vale.
Empresas com exposição cambial, mais especificamente beneficadas pela valorização do dólar, estiveram entre os destaques em recomendações de ações para outubro, com a eleição presidencial ainda no foco das estratégias.
Banco do Brasil fechou em alta após o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli, afirmar que o governo federal não vai "sacrificar" o valor das ações do BB que estão no Fundo Soberano se recorrer ao uso dos papéis da instituição financeira para fechar as contas públicas deste ano.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.