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Banco Central reprova compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB)

Diretoria do órgão seguiu encaminhamento de voto pela recusa de venda de uma parte do Master para banco estatal controlado pelo DF

3 set 2025 - 21h26
(atualizado às 22h56)
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BRASÍLIA - Depois de pouco mais de cinco meses de análise, o Banco Central decidiu por reprovar a operação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Anunciada no dia 28 de março, o BRB havia se comprometido a comprar um pedaço do Master, mas, para isso, precisava da autorização do Banco Central - o que não aconteceu.

O BRB confirmou em fato relevante que a operação de aquisição não foi autorizada pelo Banco Central. "O BRB apresentou solicitação de acesso à íntegra da decisão, com o objetivo de avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis", disse o banco.

Segundo apurou a reportagem, o banco estatal deve insistir no negócio após ter acesso aos fundamentos que embasaram a decisão do BC.

"O BRB reitera seu posicionamento de que a transação representa uma oportunidade estratégica com potencial de geração de valor para o BRB, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional e manterá seus acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis", diz o texto.

Por meio de nota, o Master afirmou que espera ter acesso à íntegra do documento para examinar "alternativas cabíveis" à decisão do Banco Central.

"O Banco Master aguarda ter acesso à íntegra do documento para avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis sobre a decisão do Banco Central a respeito da negociação com o BRB. O banco continua confiante na sua estratégia e na sua operação, que fizeram com que se destacasse num mercado altamente concentrado", disse o Master.

A diretoria colegiada do órgão seguiu encaminhamento de voto do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Dias de Brito Gomes?, pela recusa do negócio. Nos últimos dias, uma ofensiva de políticos do centrão e da oposição na Câmara dos Deputados tentava emparedar o Banco Central, com a ameaça de votação da urgência de um projeto que permitia ao Congresso destituir a cúpula do BC.

Desde o anúncio do negócio, a operação foi vista por especialistas como uma forma de socorro do Master por parte do BRB, um banco público. O Master teve um crescimento expressivo nos últimos anos, mas com um modelo de negócios que era apontado com altamente arriscado.

De um lado, o banco captava recursos oferecendo alta rentabilidade em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), um título de renda fixa garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De outro, usava esses recursos para comprar ativos com pouca liquidez, como precatórios, direitos creditórios e ações de empresas em dificuldades.

Em entrevista ao Estadão, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, havia dito que o perímetro da operação havia caído à metade com a análise detalhada dos ativos do Master. De início, o BRB iria incorporar R$ 48 bilhões do Master, mas esse números havia diminuído para R$ 23,9 bi.

Esse encolhimento do perímetro, em poucos meses, foi visto por especialistas como um ponto frágil da operação, já que muitos ativos foram descartados pelo BRB.

Com a recusa da operação, crescem os riscos de que o Master possa sofrer uma intervenção do Banco Central, com o afastamento dos gestores do banco e a nomeação de um interventor. Essa decisão, contudo, caberá agora ao diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino dos Santos.

O Master agora precisará apresentar um plano de trabalho ao Banco Central, que irá fazer uma análise e decidir sobre os próximos passos.

Investigação

Conforme revelou o Estadão, uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou a suspeita de crimes financeiros na gestão do Master, por meio de investimentos fraudulentos que inflaram o patrimônio da instituição e permitiram o aporte de recursos até mesmo em empresas vinculadas à irmã do dono do banco, Daniel Vorcaro.

De acordo com a CVM, o Master investiu um total de R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica suficiente para dar retorno a esses investimentos. Essa situação, aponta o relatório, "pode comprometer severamente a solidez patrimonial da instituição financeira". O Estadão teve acesso, com exclusividade, a detalhes da apuração sigilosa da CVM.

Procurado, o Master afirmou que esses investimentos "já foram integralmente quitados, não havendo qualquer exposição".

Na última semana, a Polícia Federal decretou a Operação Carbono Oculto. Embora o Master não tenha sido alvo das medidas, um conjunto de operações feitas por dois fundos de investimentos da Reag - Hans 95, Reag Growth 95 - ajudou a dar um fôlego extra de ao menos R$ 1,2 bilhão ao Master no ano passado, num momento em que a instituição financeira já começava a enfrentar problemas de liquidez.

A Reag e os dois fundos apareceram na lista de alvos da operação, que investiga suspeitas de ocultação de patrimônio e relações com o crime organizado.

Procurado, o Master afirmou que a Reag é uma prestadora de serviços do banco e tem como atividades a gestão e a administração de fundos. "É uma entre outras entidades financeiras que prestam serviços nesta atividade. O Master é apenas um entre centenas de clientes da Reag", disse.

Estadão
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