Axia vence três dos quatro lotes do leilão de transmissão e amplia carteira de projetos em 10%
Leilão organizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se realiza nesta tarde de sexta-feira, 3, na B3, em São Paulo
A Axia Energia foi com apetite para a segunda etapa do leilão de transmissão realizado nesta sexta-feira na B3, conquistando três dos quatro lotes ofertados, com lances que tiveram deságios superiores a 50%. Com isso, se compromete a realizar investimentos que somam R$ 668 milhões e terá direito a uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 50,8 milhões quando as instalações entrarem em operação.
A empresa venceu a disputa pelos lotes 8, 9 e 10 (leia mais abaixo), com pequenos trechos de linha de transmissão e subestações em Mato Grosso do Sul e São Paulo. A Alupar, por meio do Consórcio Olympus, arrematou o lote 7 — composto por 35 quilômetros de linhas de transmissão subterrâneas com 345 kilovolts (kV), além da Subestação São Miguel —, ao oferecer uma RAP de R$ 96,720 milhões, um deságio de 52% em relação ao valor máximo estabelecido no edital, de R$ R$ 201,5 milhões.
Após a disputa, o vice-presidente executivo da Axia, Elio Wolff, classificou o leilão como positivo para a companhia. "O leilão foi bom, agregou valor, agregou negócio e aumentou o portfólio", disse. De acordo com ele, os lotes arrematados ampliam em cerca de 10% a carteira de projetos conquistados em leilões, que era de aproximadamente R$ 7 bilhões.
A Axia chegou a estudar e se habilitar também pelo lote 7 do leilão desta sexta-feira, o maior ofertado hoje, com investimentos estimados em mais de R$ 1 bilhão, mas acabou não apresentando oferta.
Segundo Wolff, a companhia optou por focar nos lotes 8, 9 e 10 por ter maior expertise nas obras que deverão ser executadas nesses empreendimentos. "Leilão para nós é atividade contínua, e pegamos esse tipo de obra que muitas vezes se assemelha a reforços e melhorias, com um pouco mais de complexidade, porque tem licenciamento, mas no fim das contas é continuidade", disse. Ele citou que a companhia tem realizado entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões de reforços e melhorias.
No consolidado, a disputa no leilão levou a um deságio médio de 53,20%, com uma RAP contratada de R$ 147,5 milhões, abaixo da RAP máxima estabelecida para os lotes de R$ 315,18 milhões. Juntas, Axia e Alupar terão uma receita de R$ 3,76 bilhões ao longo do contrato. A economia para o consumidor foi calculada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em R$ 4,28 bilhões.
Quais lotes a Axia conquistou
Nas primeiras rodadas do leilão, a Axia arrematou os seguintes lotes:
- Lote 8 — A Axia ofereceu uma RAP de R$ 10,83 milhões (deságio de 59,04% em relação ao valor máximo estabelecido no edital, de R$ 26,5 milhões). A COX Brasil e o Cymi participaram da disputa pelo lote 8, composto de 6 quilômetros de linhas de transmissão em Mato Grosso do Sul e a Subestação Iguatemi 2 (230/138 kV), com investimento previsto de R$ 150,7 milhões.
- Lote 9 — A Axia ofereceu uma RAP de R$ 16,213 milhões (deságio de 57,24% em relação ao valor máximo estabelecido no edital, de R$ 37,9 milhões). A EDP, o Cymi e o Consórcio Olympus participaram da disputa pelo lote 9, composto pela Subestação Dom Pedro I (230/88 kV) e 19 quilômetros de linha de transmissão em São Paulo, com investimento previsto de R$ 224,6 milhões.
- Lote 10 — A Axia ofereceu uma RAP de R$ 23,7 milhões (deságio de 51,84% em relação ao valor máximo estabelecido no edital, de R$ 49,3 milhões). O consórcio Olympus e o Cym participaram da disputa pelo lote 10, composto por 1 quilômetro de linha de transmissão em Mato Grosso e pela Subestação Cuiabá Norte (500/138 kV), com investimento previsto de R$ 292,8 milhões.
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