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Aumento de juros pelo BCE parece quase certo após inflação atingir maior nível em três anos

4 nov 2026 - 09h25
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Resumo
Impulsionada pela alta de energia e alimentos, a inflação da zona do euro atingiu 4% em outubro, o maior nível em três anos, superando a meta de 2% do BCE. Embora o núcleo inflacionário tenha ficado estável em 2,5%, o encarecimento contínuo amplia o risco de efeitos secundários na economia. O cenário reforça a probabilidade quase certa de o Banco Central Europeu elevar a taxa de juros em dezembro, movimento que deve ser acompanhado por outros bancos centrais europeus.

A inflação na zona do euro atingiu no mês passado ‌o maior nível em três anos, impulsionada pelo aumento dos custos dos alimentos e da energia, e deve subir ainda mais nos próximos meses, reforçando argumentos a favor de um novo aumento da taxa de juros pelo Banco Central Europeu em dezembro.

A inflação nos 21 países que adotam o euro subiu para 4,0% em outubro, ante 3,8% no mês anterior, em linha com as expectativas de uma pesquisa da Reuters com economistas, à medida que ⁠a inflação no setor de energia atingiu 20%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Eurostat, a agência de estatísticas da ‌União Europeia.

O núcleo da inflação — que exclui os preços voláteis dos alimentos e da energia —, por sua vez, se manteve estável em 2,5%, em linha com as expectativas, indicando que os tão temidos efeitos de segunda ordem ‌ainda não se concretizaram.

"Apesar da ausência de sinais de efeitos de ‌segunda ordem, os dados de inflação divulgados hoje reforçam os argumentos já sólidos a favor de um aumento ⁠da taxa de juros pelo BCE em dezembro, já que o banco central teme que, quanto mais tempo o choque energético se prolongar, maiores sejam os riscos de que pressões inflacionárias mais amplas se tornem mais arraigadas", afirmou Nicola Nobile, da Oxford Economics.

A inflação vem subindo rapidamente acima da meta de 2% do BCE neste ano, à medida que a guerra dos EUA com o Irã elevou os custos da energia, repercutindo nos preços de varejo ‌de um bloco que importa a maior parte de sua energia.

O BCE manteve os juros inalterados na semana passada, mas ‌uma longa lista de formuladores de ⁠política monetária, incluindo os influentes ⁠presidentes dos bancos centrais da Alemanha e da Itália, já sinalizaram que agora é provável que haja outro ajuste em dezembro.

Os ⁠mercados financeiros estão precificando entre dois e três aumentos na taxa ‌de depósito de 2,5% do BCE ‌ao longo do próximo ano, com as expectativas mudando frequentemente, acompanhando a evolução dos preços do petróleo.

O banco central da Suécia, por sua vez, juntou-se a outros bancos centrais na adoção de uma política monetária mais restritiva nesta quarta-feira e sinalizou mais aumentos à frente, devido aos temores de que a inflação no ⁠setor energético possa se espalhar para a economia em geral.

Espera-se que o Banco da Inglaterra, em reunião na quinta-feira, siga o mesmo caminho, elevando sua própria taxa básica para 4,00%, diante da previsão de que a inflação ultrapassará 4% no início do próximo ano.

PREOCUPAÇÃO COM PREÇOS DOS ALIMENTOS

Em um desdobramento potencialmente preocupante para o BCE, a inflação dos alimentos continuou a acelerar, com os preços dos ‌alimentos não processados subindo 4,6% em relação ao ano anterior.

Esse item representa apenas uma pequena parte da cesta de preços ao consumidor, mas inclui alguns dos produtos mais frequentemente adquiridos pelas famílias. Mudanças rápidas nos preços podem ⁠ter um impacto desproporcional nas expectativas de inflação, afirmam economistas.

A inflação de serviços, maior item isolado da cesta de preços ao consumidor, subiu de 3,2% para 3,3%, enquanto os preços dos bens industriais aumentaram 1,2%, após alta de 1,1% no mês anterior.

Embora os números divulgados nesta quarta-feira indiquem que a inflação dos preços da energia ainda não esteja gerando efeitos de segunda ordem, o alto custo do diesel e do gás natural ainda corre o risco de se refletir nos preços de outros bens e serviços, causando efeitos indiretos que certamente perdurarão.

Os baixos níveis de estoque de gás natural, por sua vez, criam um grande risco de alta para os custos de aquecimento, afirmam os economistas.

Isso pode não estar tão visível nos dados atuais, mas provavelmente se manifestará nos próximos meses, especialmente em janeiro, quando alguns produtos tradicionalmente passam por reajustes de preço.

O BCE agora espera que a inflação se mantenha acima de 4% durante grande parte do primeiro semestre de 2027, antes de cair rapidamente para a "faixa baixa dos 2%", quando os altos números do ano anterior forem excluídos dos dados.

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