Argentina: PIB encolhe pelo 2º mês seguido, com queda de 0,7% em junho ante maio
Divulgação de PIB enfraquecido ocorre em meio a tensões políticas que testam as reformas promovidas pelo governo de Javier Milei
O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina encolheu pelo segundo mês consecutivo em junho, no comparativo mensal, de acordo com leitura preliminar divulgada nesta quarta-feira, 20, pelo Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec). O país viu contração de 0,7% na atividade em junho ante maio. Em maio, o PIB havia apresentado queda de 0,2% ante abril. É a quarta contração no ano.
Em termos anuais, o PIB argentino registrou avanço de 6,4%, na comparação com um ano (2024) em que a economia argentina encolheu 1,7% na comparação com o anterior (2023).
Em relação ao mesmo mês de 2024, 12 dos setores de atividade que compõem a medição do Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE) registraram aumentos em junho, com destaque para Intermediação Financeira (28,7% no ano) e Comércio Atacadista, Varejista e Reparações (11,5% no período).
Por outro lado, três setores registraram quedas na comparação anual, com destaque para Pesca (-74,6% no ano), que com Administração Pública e Defesa; Planos de Seguridade Social de Filiação Obrigatória (-0,7% no período) e Outras Atividades de Serviços Comunitários, Sociais e Pessoais (-0,7% na comparação anual) reduziram 0,46 ponto porcentual do crescimento do EMAE na comparação anual.
Dólar volta a subir em relação ao peso
O dólar oficial subiu, nesta quarta-feira, 20, pela primeira vez em 13 dias ante o peso argentino, voltando a superar os 1,3 mil pesos, segundo o jornal Ámbito Financiero, e o índice Merval cedeu 0,49% com um PIB enfraquecido na Argentina e tensões políticas internas.
A oposição marcou um triunfo na Câmara dos Deputados da Argentina ao rejeitar o veto do presidente Javier Milei à lei de Emergência em Deficiência. No que se prevê ser uma jornada extensa, os blocos opositores pretendem insistir em outras três leis que Milei vetou em prol de sustentar o "déficit zero".
Tentando controlar o orçamento, o presidente da Argentina vetou no começo de agosto uma tentativa de aumentar os gastos com pensões e uma lei que expande as proteções para pessoas com deficiência, além de proibir o Tesouro de financiar gastos com emissão monetária.
Os argentinos irão às urnas no início de setembro para votar na legislatura provincial de Buenos Aires e, depois, renovar o congresso no final de outubro. As eleições são amplamente esperadas como um referendo sobre o governo de Milei.
Às 18h2 (de Brasília) o dólar subia a 1.300,45 pesos argentinos. No paralelo, o dólar blue recuou 0,37%, a 1.315,00 pesos argentinos, segundo o Ámbito Financiero.