Aprovação do acordo Mercosul-UE no Congresso pode acelerar processo na Europa, diz Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu nesta quinta-feira que a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pelo Congresso brasileiro pode ajudar a acelerar o processo entre os europeus, depois que o Parlamento Europeu decidiu enviar o texto a um tribunal do bloco.
"A decisão do governo é de acelerar o processo. (Foram) 25 anos de trabalho, teve um percalço, mas nós vamos superá-lo", disse Alckmin a jornalistas após se reunir com o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e com o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da representação brasileira no Parlamento do Mercosul.
"Quanto mais rápido a gente agir, melhor. E aí isso ajudará na Comisão Europeia para que haja uma vigência provisória enquanto há uma discussão na área judicial", acrescentou Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A UE e o Mercosul -- formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai -- assinaram o pacto comercial no sábado, após 25 anos de negociações. Mas, na quarta-feira, parlamentares europeus desferiram um golpe ao pacto ao remeter o acordo ao Tribunal de Justiça Europeu, o que pode atrasá-lo em até dois anos. Há possibilidade, no entanto, de sua aplicação em caráter provisório.
Mais cedo nesta quinta, Trad esteve reunido com a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, informou a Agência Senado. Segundo ele, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), devem tratar a questão "com a maior celeridade possível".
Mesmo com a assinatura, o novo acordo precisa ser ratificado pelos Poderes Legislativos das partes envolvidas -- o Parlamento Europeu e parlamentos de cada integrante do Mercosul.
Defensores do pacto comercial argumentam que o acordo é importante para compensar as perdas provocadas pelas tarifas dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China.
Mas críticos ao acordo, liderados pela França, afirmam que ele deve aumentar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços baixos para o bloco, prejudicando os produtores locais.