Anti-dólar: conheça as moedas mais desvalorizadas do mundo
Colocar uma nota de um dólar no bolso ou na carteira é fácil. Em outros países esta ação pode ser um tanto trabalhosa. Na Colômbia, por exemplo, se alguém quiser carregar o valor equivalente a um dólar terá 1.792 pesos consigo. No Vietnã, a tarefa de atravessar as ruas com uma unidade da moeda norte-americana nas próprias mãos é quase impossível. Os 21 mil dongs vietnamitas talvez nem caibam em uma bolsa comum, mas é esta quantidade imensa de unidades monetárias que se iguala ao valor daquele papel com o rosto de George Washington.
O Vietnã passou por uma história política conturbada até se firmar como República Socialista. Conflitos entre as duas vertentes políticas separaram o país até 1976, quando aconteceu a reunificação sob a bandeira da esquerda. O pesquisador do Grupo de Estudos de Conjuntura da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Uehara afirma que o passado conflituoso não teve influência de forma direta na desvalorização da moeda, porém fez com que o governo vietnamita atrasasse seu planejamento econômico positivo. "Primeiro ele tinha de pensar na estabilidade interna do país, em uma pacificação política interna, para depois poder pensar na política econômica". Segundo o especialista em economia asiática, somente a partir da década de 1990 o país atingiu um maior equilíbrio interno e pôde pensar nas possibilidades de melhorar a economia a longo prazo.
Alexandre Uehara vê como um dos principais vilões por trás da desvalorização a alta inflação, com a qual sofre país. No ano da crise internacional deflagrada neste milênio, em 2008, o número era de 23%. Em 2011, baixou para 19%. Segundo o pesquisador da USP, a inflação elevada contribui para que a moeda adquira menor valor diante do câmbio norte-americano. Entretanto, esta desvalorização tem ajudado na abertura da economia vietnamita para o mercado internacional. A moeda barata fez com que mais interessados em importar produtos têxtil, calçados e componentes eletrônicos se aproximassem da nação limitada ao norte da China. O que é bom para os importadores não parece ser tão positivo para a população do Vietnã. "Com a inflação aumentando e a moeda desvalorizando, o produto vai aumentar de valor em moeda local, mas o preço dele continua sendo os países que estão comprando", explica Uehera.
Entrada da China na OMC beneficia Vietnã
A voltada de visão para os produtos vietnamitas aconteceu também por outro motivo relacionado ao maior país asiático. A entrada recente da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) fez com o que fossem tomadas medidas de restrições contra o país para garantir a competitividade no mercado mundial. "As empresas começaram a se voltar ao Vietnã porque lá não existe possibilidade de restrições", reforça o pesquisador Uehera.
O câmbio baixo atraiu algumas empresas chinesas, americanas, japonesas e coreanas. "Se torna mais barato de fazer investimentos, de comprar espaços para fazer instalações de empresas, para construir uma fábrica". Segundo o especialista em economia asiática, a procura maior vem da China, que precisa de mão de obra de pouco custo para suas indústrias. Uehara analisa que esta busca pode levar a um desenvolvimento tecnlógico na indústria do Vietnã em um prazo de 15 a 20 anos.
Outros anti-dólares espalhados pelo mundo
Informações publicadas pelo Tesouro norte-americano indicam que, até 30 de junho deste ano, o segundo lugar da moeda mais desvalorizada estava com as dobras de São Tomé e Príncipe. Um dólar norte-americano seria equivalente a 19.565 dobras, número um pouco a baixo do alcançado na conversão dos dongs vietnamitas. O terceiro lugar é ocupado pela rupia, dinheiro usado na Indonésia. Segundo Caio Sasaki, gerente de análise da XP Investimentos, são necessárias 9.479 moedas para completar um dólar.