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Alternativa ao real, moedas sociais estimulam comércio local

1 ago 2012 - 08h37
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No Conjunto Palmeiras, no Ceará, a dona de casa vai ao supermercado e, na carteira, não tem notas de real. Leva apenas Palmas. Em Saracuruna, no Rio de Janeiro, o pai de família paga o corte de cabelo com Saracuras. Em outras comunidades de todo o Brasil, circulam cédulas de Capivari, Maracanãs e Piraperês. Criadas por bancos comunitários, as moedas não fazem parte de uma brincadeira ¿ permitem comprar e vender e fortalecem a economia das comunidades onde circulam.

Saracura é aceita em quase 80 empreendimentos do bairro Saracurama, em Duque de Caxias
Saracura é aceita em quase 80 empreendimentos do bairro Saracurama, em Duque de Caxias
Foto: Divulgação

Pioneiro na iniciativa, o Banco Palmas surgiu da necessidade de estimular as compras no Conjunto Palmeiras, bairro com cerca de 32 mil habitantes, localizado no sul de Fortaleza. "Em 1998, fizemos um levantamento e percebemos que 80% dos moradores faziam suas compras fora do bairro. A partir disso, começamos a buscar uma forma de estimular o comércio local", diz o coordenador do banco, João Joaquim de Melo Neto Segundo. Com circulação permitida apenas dentro de Palmeiras e comunidades adjacentes, a moeda social Palmas é aceita em cerca de 240 estabelecimentos comerciais. "Nós éramos pobres não porque não tínhamos dinheiro, mas porque gastávamos esse dinheiro em outros lugares. Hoje, 80% de nossos moradores fazem suas compras aqui", diz.

Ao firmar parceria com o Banco Palmas, os comerciantes são estimulados a dar descontos para quem comprar na moeda, que tem o mesmo valor do real ¿ uma Palma vale R$ 1. "O aumento das vendas estimula a produção e, para isso, nós temos linha de crédito para os comerciantes, em real. A ideia é que eles busquem fora do bairro recursos para melhorar seu serviço e aumentar a renda", afirma. Os moradores têm acesso à moeda por meio de empréstimos sem juros no banco comunitário, prestando serviços em troca de Palmas ou trocando reais pelo circulante local, também no banco. "Percebemos que, para aumentar a oferta, nós precisávamos, primeiro, organizar o consumo. A Palmas permitiu criar uma cultura de comprar dentro do nosso bairro", destaca.

A lógica é similar na comunidade de Saracuruna, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Há um ano, o banco comunitário estimula compras no comércio local ¿ do barbeiro ao supermercado. A iniciativa surgiu em parceria com a Universidade Federal Fluminense, a distribuidora de energia Ampla e a associação de moradores, que buscou referência no Banco Palmas. A Saracura vale apenas na localidade e abre portas para que, entre serviços e compras de produtos, o dinheiro não saia de dentro do bairro. "Temos a exigência de que deem desconto para quem compra com Saracura. Depois, o comerciante pode trocar a moeda por real. Os compradores podem trocar o real por Saracura, mas nunca o contrário. Ainda não temos números oficiais, mas houve aumento acentuado nas compras locais", diz o presidente do Banco Saracuruna, Julio Cesar Miguel. Entre os produtos aos quais moradores têm acesso com a moeda local, estão artigos evangélicos, materiais de construção, vestuário e alimentação - tudo sem sair de Saracuruna. "Há um fluxo maior de dinheiro dentro do bairro, gerando emprego e renda para nossos moradores e impedindo que nosso capital vá todo para longe daqui", destaca.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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