Pós-pago e fibra puxam receita da Vivo no 1º trimestre, com migração de clientes e avanço do 5G
Operadora aumenta lucro e faturamento ao ampliar base de usuários, reduzir cancelamentos e expandir oferta de serviços digitais e eletrônico
O mercado de telecomunicações segue em um cenário de competição em fibra, expansão do 5G e disputa por clientes de maior valor. As operadoras buscam aumentar receita sem depender apenas da expansão da base. A Vivo começou 2026 apoiada justamente nessa estratégia e registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre, alta de 19,2% em um ano.
A receita total chegou a R$ 15,5 bilhões, avanço de 7,4%, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira, 11. O crescimento veio, principalmente, do pós-pago e da fibra, que já representam 74,3% da receita de serviços da empresa.
O avanço une migração de clientes do pré-pago, aumento da base, maior consumo de dados com o 5G e venda de serviços adicionais para clientes já existentes. “É uma combinação de fatores: novos clientes, retenção dos que estão e mais serviços para a base que a gente já tem”, afirma Christian Gebara, CEO da Vivo.
A companhia também ampliou sua aposta em convergência, com pacotes que unem fibra e móvel no Vivo Total, e em serviços digitais, como streaming, serviços financeiros e saúde. A estratégia ajuda a reduzir cancelamentos e aumentar o gasto médio por cliente.
Migração do pré-pago sustenta avanço do pós-pago
A receita de serviço móvel da Vivo somou R$ 9,9 bilhões no trimestre, alta de 6,6%. O pós-pago respondeu por R$ 8,6 bilhões, crescimento de 7,8% e participação de 86,6% da receita móvel. A operadora adicionou 827 mil novos acessos pós-pagos no trimestre, uma aceleração de 22,7% frente ao mesmo período de 2025. A base pós-paga atingiu 72,1 milhões de acessos, alta de 6,9%. A empresa também destacou a redução do churn, indicador de cancelamento, que voltou ao nível de 1% ao mês.
“O nosso churn do pós-pago mantém 1% mensal, o que mostra o desejo dos nossos clientes permanecerem na Vivo”, destaca Gebara.
O aumento do consumo de dados com o avanço do 5G também ajudou a elevar o ARPU, receita média por usuário, para R$ 31,90, alta de 5,7%. “Quando o cliente tem mais 5G, a gente consegue fazer uma evolução no plano, porque há mais consumo de dados”, diz CEO da Vivo.
Fibra cresce com aposta em convergência
Na operação fixa, a receita chegou a R$ 4,4 bilhões, avanço de 5,1%. A fibra respondeu por R$ 2,1 bilhões, crescimento de 9,3%. Parte do avanço veio do Vivo Total, plano que integra fibra e móvel. A oferta já soma 3,6 milhões de clientes, alta de 32,6% em um ano, e representa 44,7% da base de fibra da companhia.
De acordo com a Vivo, 83,3% das novas vendas de fibra nas lojas próprias já acontecem dentro do Vivo Total. A estratégia também ajudou a reduzir cancelamentos. O churn da fibra ficou em 1,5% ao mês, em nível considerado historicamente baixo pela empresa.
A Vivo encerrou o trimestre com 31,5 milhões de domicílios cobertos por fibra e 8 milhões de clientes conectados.
Mesmo líder no segmento, a empresa acompanha a consolidação do mercado de fibra, principalmente em São Paulo, após movimentos de operadoras regionais. “Existe possibilidade de consolidação, mas seguimos crescendo com a nossa própria expansão”, explica Gebara.
Venda de eletrônicos e serviços digitais ganham peso
A Vivo também acelerou a receita com aparelhos e eletrônicos, que cresceu 26,6% no trimestre, para R$ 1,2 bilhão. Foi a maior expansão dos últimos cinco anos. A empresa justifica o avanço por causa da ampliação do portfólio de produtos nas lojas físicas e digitais. Os celulares 5G representaram 97,2% dos smartphones vendidos no período.
Além da conectividade, a companhia ampliou a receita com serviços digitais. Nos últimos 12 meses, os novos negócios já representaram 12,1% da receita total.
No B2B, braço corporativo, as receitas com cloud, cibersegurança, internet das coisas, IoT, internet das coisas, e serviços de tecnologia cresceram 23,8%, para 5,4 bilhões de reais.
A Vivo destacou uma parceria com a São Martinho, grupo do agronegócio, para levar conectividade e IoT a propriedades agrícolas em São Paulo e Goiás.
No B2C, segmento voltado ao consumidor final, os novos negócios somaram cerca de R$ 2 bilhões em receita nos últimos 12 meses, alta de 31,5%.
A empresa também ampliou a venda de serviços financeiros, streaming e saúde digital. A plataforma Vivo Pay acumulou receita de R$ 426 milhões em 12 meses, enquanto a vertical de saúde atingiu R$ 115 milhões.
Segundo Gebara, a estratégia é aumentar a receita gerada por cada cliente. A receita média mensal por CPF chegou a R$ 67,20 no trimestre, alta de 6,9%. “Temos uma grande oportunidade de vender mais serviços para a mesma base”, afirma o executivo.
Serviços digitais já representam 12,1% da receita
Além da conectividade, a Vivo ampliou o peso dos serviços digitais no faturamento. Os novos negócios já representam 12,1% da receita acumulada nos últimos 12 meses.
No B2B, braço corporativo da companhia, o portfólio de soluções digitais --que inclui cloud, computação em nuvem, cibersegurança, big data, análise de grandes volumes de dados, IoT, internet das coisas, mensageria e serviços de TI-- gerou R$ 5,4 bilhões em receita nos últimos 12 meses, alta de 23,8%. A operação já representa 8,9% da receita total da companhia.
No trimestre, a Vivo destacou uma parceria com a São Martinho, grupo do agronegócio, para ampliar conectividade e IoT em propriedades rurais em São Paulo e Goiás. O projeto prevê a instalação de 44 torres para atender 350 mil hectares produtivos e conectar mais de 2.200 equipamentos agrícolas.
“É um projeto único”, exalta Gebara. “O objetivo é habilitar conectividade para sensores e máquinas, gerando maior capacidade de análise de dados.”
No B2C, divisão voltada ao consumidor final, os novos negócios somaram cerca de R$ 2 bilhões em receita nos últimos 12 meses, alta de 31,5%, com participação de 3,2% na receita total.
Os serviços financeiros, reunidos na plataforma Vivo Pay, acumularam receita de R$ 426 milhões no período, avanço de 13%. A plataforma inclui seguros, antecipação de FGTS, empréstimo pessoal e parcelamento via Pix. Segundo a empresa, mais de R$ 1,2 bilhão já foi disponibilizado em crédito.
No início do ano, a companhia lançou um crediário próprio para financiar a compra de aparelhos eletrônicos nas lojas da marca.
As parcerias com plataformas de vídeo e música também ganharam escala. A receita chegou a R$ 835 milhões nos últimos 12 meses, alta de 24,8%, enquanto a base de assinantes cresceu 28,8%, para 4,4 milhões de usuários.
Na vertical de saúde, a receita avançou 67,7%, para R$ 115 milhões nos últimos 12 meses. O Vale Saúde, plataforma da companhia no segmento, alcançou 531 mil assinantes e realizou 85 mil consultas, exames e procedimentos no período, além da venda de 2,5 milhões de itens em farmácias parceiras.
Geração de caixa cresce e Vivo amplia remuneração a acionistas
Os custos totais da Vivo, desconsiderando depreciação e amortização, chegaram a R$ 9,2 bilhões no trimestre, alta de 6,5%. Segundo a companhia, o avanço foi parcialmente compensado por ganhos operacionais e maior uso dos canais digitais.
O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 4,2 bilhões, crescimento de 8,5%, com margem de 26,9%. Já o fluxo de caixa livre avançou 3,6%, para R$ 2,2 bilhões.
A Vivo também reafirmou o compromisso de distribuir ao menos 100% do lucro líquido de 2026 aos acionistas. Até agora, a companhia já confirmou R$ 7 bilhões em pagamentos neste ano, valor 9,6% superior ao distribuído no exercício anterior.
O montante inclui R$ 3 bilhões em juros sobre capital próprio, JCP, pagos em abril, e R$ 4 bilhões em redução de capital, previstos para julho. A empresa também anunciou mais R$ 890 milhões em JCP e aprovou um programa de recompra de ações de até R$ 1 bilhão, válido até fevereiro de 2027.
“Os resultados alcançados refletem a solidez da nossa estratégia e da disciplina financeira”, diz Rodrigo Monari, CFO da Vivo.
ESG e diversidade seguem no foco da companhia
A Vivo também reforçou a estratégia ligada a metas ambientais, sociais e de governança, ESG, sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança corporativa.
A companhia liderou pela terceira vez o Índice de Sustentabilidade Empresarial, ISE, da B3 e permaneceu pelo segundo ano consecutivo no Dow Jones Best in Class World Index, índice global de sustentabilidade corporativa.
A empresa também aderiu aos programas “Movimento Impacto Amazônia” e “+Água”, ligados ao Pacto Global da ONU. As iniciativas fazem parte do projeto Floresta Futuro Vivo, que prevê restauração e proteção de mais de 800 hectares na Amazônia.
Na área social, a Vivo destacou o Hospital Púrpura, plataforma de atendimento digital para colaboradores e familiares, que atende mais de 80 mil pessoas.
A companhia também afirmou ter alcançado o primeiro lugar no Ranking de Acessibilidade 2026 da Anatel.
No fim de abril, a Vivo ampliou a participação feminina no conselho de administração com a entrada da executiva espanhola María Cristina Rotondo Urcola. Com isso, cinco das 12 cadeiras do colegiado passaram a ser ocupadas por mulheres.
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