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Alta do petróleo até US$ 85 não deve gerar pressão inflacionária relevante no Brasil, diz Ceron

Para secretário do Tesouro, aumento nos preços da commodity beneficiaria a balança comercial e causaria efeito positivo nas receitas com royalties e leilões de participações

2 mar 2026 - 10h09
(atualizado às 11h11)
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BRASÍLIA - O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse nesta segunda-feira, 2, que a alta do petróleo após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã não deve gerar pressão inflacionária relevante, desde que o barril da commodity continue oscilando entre US$ 75 e US$ 85.

"A pressão inflacionária que ele gera é relativa, uma vez que a gente também está vivenciando uma apreciação cambial significativa", disse Ceron, em um evento do jornal Valor Econômico. "Claro que isso pensando em um cenário de uma tensão e incerteza até certo ponto controlável, não num cenário de barril acima de US$ 100."

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron
Foto: Marcelo Chello/Estadão / Estadão

O secretário lembrou que o Brasil é exportador de petróleo. Logo, uma alta nos preços da commodity beneficiaria a balança comercial. Do ponto de vista fiscal, ele disse que, se o barril permanecer cotado até US$ 85, haveria um efeito positivo nas receitas com royalties e leilões de participações. Os efeitos, ele disse, "não são pequenos".

Ceron acrescentou que o Brasil tem sido beneficiado pelo cenário global, com fluxo de recursos de investidores. Ele disse que a tendência é que esse fluxo continue, porque o País é "pacífico, sem atritos", e a América Latina também é uma região pacífica.

"Não deixa de ser uma espécie de porto seguro para o mundo para diversificar a sua alocação de portfólio", disse Ceron. "Num cenário como esse, obviamente dentro de limites, de riscos, o Brasil está bem posicionado e ele é, provavelmente, tudo mais constante, ele é um ganhador nesse processo."

Copom

O secretário do Tesouro disse que a alta do petróleo após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã não deve ter impacto na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo o secretário, o impacto de uma alta mais intensa do petróleo seria mais provavelmente uma parada do ciclo de cortes mais cedo do que o esperado este ano.

"Me parece que está um cenário traçado e, obviamente, a princípio, não tem um efeito relevante neste primeiro momento se (o petróleo) ficar mais ou menos nesse patamar, dada a apreciação cambial que aconteceu", disse.

Em janeiro, o Copom manteve a Selic em 15%, mas informou antever uma redução na taxa básica de juros na reunião seguinte, do dia 18 de março, caso o cenário evoluísse como o esperado. O mercado espera uma redução a 12% no fim de 2026, segundo a mediana do mais recente relatório Focus.

Ceron disse que o Banco Central é "muito competente, muito estável, e sabe conduzir isso muito adequadamente."

Estadão
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