É fundamental que taxa de juros no Brasil diminua, diz presidente do Itaú
Milton Maluhy Filho afirma que País precisa reforçar segurança jurídica e defende cenário de maior previsibilidade
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, voltou a defender a queda dos juros como elemento central para assegurar a redução do custo de capital no Brasil.
"Estamos diante de uma reunião do Copom que, pelo que o mercado indica, deve trazer o primeiro corte de juros depois de um ciclo prolongado de manutenção", afirmou, durante evento Rumos 2026.
O executivo argumentou que o País precisa reforçar a segurança jurídica, essencial para qualquer decisão de crédito. Também defendeu um cenário de maior previsibilidade. "Nenhum investidor investe ou toma decisão se não houver previsibilidade. Quanto mais incerteza, menos investimentos. Precisamos atacar esse ponto", comentou.
Ele afirmou que o Brasil precisa criar condições para atrair mais investimentos estrangeiros. O executivo explicou que, no cenário internacional, o País é visto como uma das possíveis alternativas para aplicação de recursos.
Por isso, ao tomar decisões de alocação, o investidor busca previsibilidade, produtividade, carga tributária e maior segurança, de acordo com o executivo. "Escutamos muitas empresas que acabam investindo em outros países para buscar eficiência, produtividade, ganhos de escala", disse.
Maluhy comentou que o Itaú observa diferenças relevantes do Brasil com os demais países em que atua. "No Chile, nós temos duas ações trabalhistas e ganhamos as últimas três", comparou.
O presidente do Itaú Unibanco reiterou que o início do ano foi marcado por um fluxo "importante" de investimentos estrangeiros no mercado brasileiro, que ajudou a valorizar o real ante o dólar.
"Esse é mais um investimento de portfólio e de carry trade, ou seja, ainda há muito investidor se aproveitando do nível de taxa de juros ainda muito alto no Brasil em relação a outros países", explicou. "Então, você consegue captar recursos mais baratos em outras geografias e aplicar no Brasil."
O executivo acrescentou que vê "muitas oportunidades" na Bolsa brasileira. Para ele, o mais importante para o País, agora, é garantir a execução de um trabalho estruturante de médio e longo prazo.
Inadimplência
Maluhy Filho reconheceu que o início deste ano foi marcado por uma pressão mais firme de inadimplência no País, mas ponderou que o período costuma ter uma sazonalidade desfavorável. Ele afirmou não ver na carteira do banco dinâmicas particularmente mais preocupantes do que as observadas em anos anteriores.
"Janeiro é um mês de compromissos importantes das famílias, então você acaba tendo um impacto maior na inadimplência, que depois tende a normalizar", explicou.
Maluhy ressaltou ainda que o Brasil tem registrado um aumento da massa salarial, mas acompanhado de um maior comprometimento da renda. Para ele, é importante conter a inflação, que representa o pior imposto para as classes mais baixas. "A transferência de renda perde efetividade se a inflação não estiver controlada", comentou, acrescentando que o nível atual de comprometimento de renda "não é sustentável".
O executivo também reconheceu os avanços do mercado de capitais brasileiros, que abre espaço no balanço de bancos para oferecer crédito a empresas. No entanto, defendeu reformas fiscais estruturantes para assegurar o contínuo crescimento. "Deixar de lado a despesa da dívida é ignorar uma conta gigantesca que tem que ser paga todos os anos", comentou. "O fiscal e o social precisam andar de mãos dadas. Se o fiscal não for bem feito, você não consegue ter um social sustentável", destacou.