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Ajuda à Europa em crise pode trazer vantagens para o Brasil

9 nov 2011 - 14h49
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<br/><br />Ainda que o Brasil disponha de poucos recursos se comparado à China, especialistas afirmam que a ajuda à União Europeia (UE) pode ser vantajosa e lembram que uma recessão nesse importante parceiro comercial não interessa ao Brasil.<br /><br />Sem enxergar uma solução definitiva para a crise da dívida que atinge em cheio países como Grécia, Itália e Espanha, a UE tem considerado a possibilidade de pedir ajuda aos países emergentes, entre eles a China e o Brasil, a fim de obter recursos e tentar recuperar a saúde financeira do bloco.<br /><br />Para especialistas, uma eventual ajuda do Brasil dificilmente daria um grande empurrão às economias europeias abaladas pelas dívidas. A crise é grave e o Brasil não dispõe de um aporte tão grande de recursos para estancá-la, avaliam. Alguns observadores afirmam, porém, que a crise poderia ser uma boa oportunidade para o País aprofundar as relações com os europeus e ganhar mais espaço no cenário internacional.<br /><br />Nesta última terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou o interesse brasileiro em disponibilizar recursos para ajudar a Europa a superar a crise. Mantega negou, porém, que o Brasil já tenha apresentado uma proposta de ajuda no valor de US$ 10 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo especulado pela mídia brasileira.<br /><br />"Ainda não foi feita proposta concreta, com números. Mas isso não quer dizer que no futuro isso não possa acontecer", afirmou Mantega em sua primeira declaração após a reunião de cúpula do G20 na semana passada, em Cannes.<br /><br />Durante o encontro dos líderes das 20 maiores economias do mundo, a presidente Dilma Rousseff ressaltou que o Brasil deve ajudar, não diretamente, por meio compra de títulos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, mas sim através do FMI.<br /><br />"O Brasil estava disposto a fortalecer o FMI, juntamente com outros países, inclusive os Brics (também reúne Rússia, Índia, China e África do Sul). Mas isso dependia de os europeus cumprirem as tarefas que se dispuseram a fazer, como organizar o fundo europeu, utilizar mais o Banco Central Europeu, que não está sendo usado até onde poderia, e resolver o problema da Grécia", afirmou o ministro.<br /><br /><b>Importante parceiro econômico</b><br>A ajuda aos europeus é vista com uma grande dose de ceticismo pelo economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale. Ele ressalta que o Brasil, cujas reservas são de US$ 352 bilhões - um décimo das reservas da China, em torno dos US$ 3,2 trilhões, - não conta com recursos suficientes para ajudar "minimamente" a Europa.<br /><br />"Isso não tem o menor sentido", afirma Vale. "Além disso, a contrapartida que poderíamos pedir aos europeus seria uma maior diminuição dos subsídios agrícolas no continente, algo difícil de imaginar agora, no meio dessa crise."<br /><br />Já Claudio Frischtak, presidente da InterB Consultoria Internacional de Negócios ex-economista sênior do Banco Mundial, afirma que é fundamental o Brasil mostrar solidariedade com os europeus, ainda que o alcance da ajuda brasileira seja limitado.<br /><br />"Tudo o que for feito para reverter o pânico que existe hoje particularmente a sinalização dos grandes países emergentes que têm recursos e forem agora de forma cooperativa apoiar a Europa são movimentos simbólicos importantes", afirma o economista.<br /><br />Ele destaca ainda que a União Europeia é um importante parceiro comercial do Brasil. Mesmo com uma significativa queda, nas últimas duas décadas, da participação do bloco no total das exportações brasileiras, a UE ainda é destino de cerca de 21% dos produtos nacionais segundo dados do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio Exterior relativos a 2010 e 2011.<br /><br />"A última coisa que o Brasil quer é ver a UE mergulhada numa recessão. E já estamos muito perto disso", diz Frischtak.<br /><br />Ao falar sobre a ajuda brasileira ao Velho Continente, Mantega ressaltou que a crise já está ocasionando uma saída de capitais dos países emergentes, especialmente os que não têm elevadas reservas. Ele destacou, porém, que o Brasil ainda não foi afetado. "Se os emergentes forem atingidos pela crise, a situação internacional vai ficar pior", ressaltou o ministro.<br /><br /><b>Ganhos variados</b></br> Há ainda outras maneiras de aproveitar oportunidades surgidas com a crise. O cientista político brasileiro Tim Wegenast, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo, também afirma que uma maior intensificação das relações entre Brasil e Europa poderá trazer dividendos políticos e econômicos. Ele ressalta que, além de comprar títulos da dívida, o Brasil pode realizar investimentos estrangeiros diretos, como pretende fazer comprando empresas em Portugal.<br /><br />"Uma aproximação em momento de crise pode ainda gerar iniciativas interessantes. As possibilidades de benefícios para o Brasil são evidentes. Um exemplo disso seria maior acesso ao know how europeu, sobretudo alemão, em energias alternativas e tecnologias de ponta", afirma Wegenast.<br /><br />Um eventual aumento da contribuição brasileira junto ao FMI poderia ainda influenciar na atual renegociação para ampliar a participação do país no fundo, inclusive nas decisões, com maior número de cotas. "Existe uma questão de poder político dentro do fundo monetário", ressalta Frischtak.<br /><br />A atual crise da dívida europeia, que se segue a uma forte crise financeira que abalou a confiança na economia dos Estados Unidos, continua a fazer com que investidores dos países desenvolvidos enxerguem o Brasil com bons olhos. Sérgio Vale lembra que neste momento há poucos países no mundo que podem ser considerados interessantes para os investidores. "Um deles é o Brasil", afirma o economista.<br /><br />Além de ter um mercados doméstico grande e crescente, o Brasil oferece vantagens diante dos parceiros emergentes dos Brics por sua estabilidade institucional. Isso também faz com que seja importante para o País marcar posição no cenário internacional.

Fonte: Invertia Invertia
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