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Acordo UE-Mercosul pode avançar nesta semana: o que está em jogo para o agro brasileiro

Tratado comercial pode abrir mercados de países europeus, mas também exigir adaptações em cadeias de produção

15 dez 2025 - 19h36
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O acordo comercial entre União Europeia (UE) e o Mercosul, bloco que o Brasil integra, está em fase final de aprovação - embora ainda possa ser derrubado. Caso venha a ser confirmado, pode representar grandes ganhos para o agronegócio brasileiro em abertura de mercados.

O acordo deve ser votado nesta semana nos Parlamentos dos dois blocos econômicos. No Mercosul, há consenso entre os cinco países (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia) de que a aprovação é benéfica e necessária para as economias.

Já na Europa, há forte resistência por parte de alguns países, principalmente a França e a Polônia, que pretendem proteger justamente os setores agrícolas locais. Outros, como Espanha e Alemanha, apoiam a conclusão, assim como a liderança da UE, na esperança de aumentar o crescimento econômico.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a premiê italiana, Giorgia Meloni, tentam adiar a votação no Parlamento europeu, marcada para esta terça-feira, 16. Na ocasião, deverá ser discutido o texto que trata das "salvaguardas bilaterais" previstas no pacto, referentes à proteção de "produtos agrícolas sensíveis".

Posteriormente, o Conselho Europeu, formado pelos 27 chefes de governo da UE, realizará outra votação pela aprovação do acordo, em que será necessário o voto favorável de 15 deles. No total, a representatividade deve ser de 65% da população do bloco.

O acordo UE-Mercosul, negociado ao longo de cerca de 25 anos e frequentemente travado perto da conclusão, é visto em Bruxelas como uma forma de diversificar os laços da Europa, de acordo com um porta-voz da Comissão Europeia.

Expectativa

Apesar da campanha contrária de franceses e poloneses, as autoridades europeias favoráveis seguem otimistas e já preparam a viagem para assinatura do acordo, que deve ocorrer em Foz do Iguaçu (PR).

No agronegócio brasileiro, a expectativa é de que o acordo proporcione a abertura de mercados, aumentando e facilitando as exportações do Brasil para a Europa. Declarações do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e da senadora Teresa Cristina (PP-MS), vista como uma das principais representantes da bancada do agro no Congresso Nacional, dão conta da ansiedade do setor.

Em junho, o ministro creditou a realização do acordo ao presidente Lula e afirmou que a finalização devia ocorrer até março de 2026. Em maio, a senadora avaliou que, no atual redesenho global, a Europa ficou à margem da nova geopolítica imposta pelos Estados Unidos e agora vê o Mercosul com "outros olhos".

Em artigo para o Agro Estadão, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, avaliou que "não haverá uma explosão de exportações de carne ou açúcar para a Europa".

"No mundo real, o setor agrícola brasileiro, alçado como grande beneficiário, encontrará barreiras significativas. O acesso ao mercado europeu virá sob cotas restritas e tarifas ainda existentes em produtos sensíveis. O ganho real estará em áreas industriais, serviços e cadeias de valor vinculadas a padrões ambientais e tecnológicos", escreveu.

Barral ainda reforçou que os exportadores que quiserem se beneficiar do acordo precisarão se preparar, mas terão tempo para tal. "Para o Brasil, o acordo trará tarefas inarredáveis. Será necessário adaptar cadeias produtivas, reforçar a rastreabilidade ambiental e lidar com padrões técnicos. O custo de adequação pode ser alto, mas abre acesso a investimentos e financiamento verdes. Para as empresas, a lentidão da implementação permitirá tempo para ajustes, desde que, num mundo de bifurcações, o Brasil não se renda à inércia".

O acordo também trará um benefício paralelo: fortalece Mercosul e União Europeia para enfrentar possíveis tarifas de outros mercados. Apesar da UE ter chegado a um acordo por uma redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos para 15%, e do Brasil ter tido uma parte de suas exportações retiradas da lista de produtos tarifados, ambos os blocos ainda tentam se resguardar de novos abalos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, costuma ameaçar outros países de tarifas caso tomem ações que o desagradem, mesmo sem relação direta com questões comerciais. Assim, com a conclusão do acordo, o Brasil, os demais países do Mercosul e as nações da UE poderiam ter uma parceria comercial mais confiável e segura.

Uma adaptação que terá que ser feita é em relação à rastreabilidade nas cadeias de exportação de produtos, como soja, carne bovina, madeira e seus derivados, café, cacau, borracha e outros produtos agrícolas ou florestais. O EUDR, nova legislação europeia contra o desmatamento, entrará em vigor em dezembro de 2026 e exige checagens e comprovações sobre a origem do produto.

No entanto, para o Brasil, a nova lei pode acabar sendo uma oportunidade por algumas cadeias já estarem estruturadas, enquanto outros países ainda não têm georreferenciamento adequado ou sistemas de dados comparáveis.

O ponto mais sensível é o couro. A UE importa grandes volumes, 80% do couro brasileiro é exportado, e a rastreabilidade do produto se interrompe nos frigoríficos, porque não há uma questão sanitária envolvida.

A UE ainda discute como reconhecer sistemas nacionais de rastreamento, mas deve acabar adotando os mecanismos já existentes em cada país, o que pode beneficiar o Brasil.

Estadão
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