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Zé Carioca 80 anos: Personagem era 'falso brasileiro' quando feito por americanos, diz quadrinista

O desenhista Moacir Rodrigues e o roteirista Gerson Borlotti Teixeira contam a história do personagem criado pelo próprio Walt Disney em 1941

24 ago 2022 - 05h10
(atualizado às 10h01)
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Vinte e quatro de agosto de 1942. Há exatos 80 anos, chegava aos cinemas mundiais o clássico Alô, Amigos, filme que fazia parte da chamada "política da boa vizinhança" e representava a aproximação entre Brasil e Estados Unidos.

Pela primeira vez, era apresentado aquele que se tornaria o principal personagem brasileiro da Disney: Zé Carioca. Em Alô, Amigos, Zé recebe o personagem Pato Donald para um passeio pelo País e pela América Latina.

Anos depois, Zé Carioca apareceria em mais dois longas: Você Já Foi à Bahia?, de 1944, e Tempo de Melodia, de 1948. Mas foi nos quadrinhos que o personagem se consolidou e teve a história ainda mais aprofundada.

Apesar de não se ter certeza de quem foi a grande inspiração para o personagem, o que se sabe é que foi uma vinda de Walt Disney ao Rio de Janeiro, em 1941, o pontapé para a criação de Zé Carioca.

A principal teoria aceita foi que, ao conhecer o músico José do Patrocínio Oliveira, Disney teve a confirmação da existência do "jeito malandro carioca" do personagem. José do Patrocínio, inclusive, dublaria Zé Carioca nos primeiros filmes.

"O mais curioso é que esse cara, que inspirou o Carioca, era paulista de Jundiaí", brinca Gerson Borlotti Teixeira, roteirista de mais de 500 histórias sobre Zé Carioca.

Ele e Moacir Rodrigues, desenhista de quase 300 histórias, contam que, apesar de o personagem ter tantos anos, Zé Carioca se tornou brasileiro apenas quando passou a ser escrito por brasileiros.

"Ele foi feito por americanos. Ele era um brasileiro falsificado. Na hora que 'caiu' na mão dos roteiristas brasileiros, o Zé começou a ter o 'tempero brasileiro', a enfrentar os mesmos problemas que os brasileiros enfrentavam", relata Gerson.

Zé Carioca passou por mudanças e teve até 'versão funk'

Era setembro de 1973 quando Moacir Rodrigues assinou sua primeira história com Zé, Foi Buscar Lã…. Gerson Borlotti chegou ao universo do personagem um pouco depois: em fevereiro de 1980 com Que Cachorrada!.

De lá para cá, os dois trabalharam diversas vezes juntos e passaram pelas mudanças dele ao longo do tempo. "No começo, nós nem assinávamos as histórias, porque a Disney não permitia", relembra Moacir.

Dentre as mudanças, Zé Carioca já vestiu diversos figurinos e ganhou uma fase modernizada vestindo boné e tênis, que mais tarde seria apelidada de "Zé funk". A fase, porém, durou pouco, como relata o desenhista.

"Não pegou muito bem aquele lance do tênis e o boné porque argumentaram que ele mora em um lugar muito quente, o Rio de Janeiro. Tirar o paletó e colocar o tênis é quase a mesma coisa", conta.

Característica principal do personagem, o paletó, dentro da história, é o único que ele tem, segundo Moacir. "Ele usa para conquistar a Rosinha", lembra.

Zé Carioca não "travou" com o passar dos anos e, hoje em dia, usa até um celular que pega emprestado com os amigos. "Ele continua com corpinho de 18 mesmo com 80 anos", brinca o artista.

Gerson, o roteirista, conta que várias histórias tiveram de ser readaptadas por conta do amadurecimento de debates sociais. O que nunca foi mudado, porém, é a personalidade de Zé Carioca.

"Eu faço um prato com todos os ingredientes disponíveis. O Zé é um otimista, ele está sempre de bem com a vida. Ele está sempre ferrado, mas continua sorrindo", afirma.

Moacir participou da comemoração de 60 anos do personagem e relembra ter convidado vários desenhistas, inclusive Mauricio de Sousa, para criarem uma versão própria do Zé.

Para ele, o principal objetivo da Disney é fazer do personagem o "carro-chefe" da companhia no Brasil.

Os quadrinistas concordam, porém, que basta uma coisa para que Zé Carioca continue sendo brasileiro: os roteiros e os desenhos criados precisam continuar sendo feitos por brasileiros.

Os dois brincam sobre uma versão holandesa, criada com cores frias, feita para Zé. "O desenho até que ficou bonitinho, mas ele não tinha alma. O espírito ficou aqui no Rio", diz Gerson.

*Estagiária sob supervisão de Charlise de Morais

Estadão
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